The Legend of Korra: não precisa ser perfeito, basta ser divertido

The Legend of Korra: não precisa ser perfeito, basta ser divertido

Alguma vez você já comprou um game e descobriu só depois da compra que ele era ruim? Mas você continuou jogando mesmo assim (talvez pra compensar o dinheiro gasto ou até mesmo porque tava sem nada melhor pra fazer) e acabou tomando gosto pelo game?

Pois é, aconteceu isso comigo uns meses atrás. Lançado no último 21 de outubro, The Legend of Korra despertou minha curiosidade por dois motivos: um, por ter sido desenvolvido pela Platinum Games, criadora de títulos consagrados do gênero beat ‘em up (e muitos amigos meus tinham me recomendado comprar jogos dessa empresa assim que comprei meu Xbox 360). O outro motivo é por eu estar bem curioso com relação ao desenho animado que originou esse jogo, que eu ainda não tinha assistido na ocasião.

Podem chamar de Síndrome de Estocolmo se quiserem, mas este jogo realmente me pegou de jeito. Fazia tempo que eu não me divertia tanto com um jogo que apesar de ser exageradamente simples e até mesmo desleixado em alguns de seus aspectos, oferece uma jogabilidade tão bem feita e interessante que sozinha me deixou bastante satisfeito com o conjunto da obra.

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O jogo se passa imediatamente após os eventos ocorridos na terceira temporada do desenho animado. A Avatar Korra acaba perdendo sua capacidade de controle dos quatro elementos após ser agredida por um grupo de soldados bloqueadores de Chi, liderados por um misterioso velho feiticeiro. A partir daí Korra segue em uma jornada para recuperar seus poderes, descobrir o paradeiro do velho e por um fim em seus planos malignos.

Ao longo de suas curtíssimas oito fases (precisei de míseros 2 dias pra zerar o jogo na dificuldade normal), o jogador – na pele da jovem Korra – sai distribuindo porrada em um monte de soldados rasos, capangas dominadores de elementos, mechas gigantes e outros inimigos genéricos, enquanto cumpre missões simples para recuperar os elementos um a um (coisas como se esquivar de ataques um certo número de vezes, atingir 50 hits em um combo, entre outras tarefas repetitivas, porém breves). Intercalando tais fases, existem algumas fases bônus nas quais o jogador deve desviar de obstáculos correndo na garupa de sua fiel cachorra-ursa polar Naga.

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Infelizmente são justamente essas características que pecam neste jogo. Apesar de contar com um visual muito bonito e fiel à série televisiva, com gráficos inteiramente feitos com o mais puro e sublime cel-shading (gente, como eu amo cel-shading… <3 ), falta um maior capricho nas fases, que tem um design muito pobre e simples. A segunda fase, situada na Cidade da República é um exemplo: uma cidade tão vibrante e cheia de vida no desenho animado é praticamente um deserto em sua contraparte “gamística”. O tipo de falha que era bastante comum em jogos da geração do PS2, Xbox e Game Cube e que, na minha opinião, não deveria se repetir atualmente. Mas no fim das contas, era de se esperar de um jogo encomendado a toque de caixa pela Nickelodeon.

A essa altura você, leitor, deve estar se perguntando porque apesar desses defeitos eu continuei jogando Korra, ao ponto de até mesmo zerá-lo em todos os níveis de dificuldade (coisa que eu não fazia em um jogo desde a época do SNES!). Bom, devo lembrá-los de que foi a Platinum Games (responsável por títulos excelentes como Bayonetta e Metal Gear Rising: Revengeance) quem desenvolveu este game, então se tem uma coisa que poderia se salvar era a jogabilidade, certo? Felizmente minhas expectativas com relação a esse elemento do jogo se confirmaram e Korra se sobressaiu naquilo que a Platinum sabe fazer de melhor.

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Graças ao excelente e refinado sistema de combate, que permite executar golpes e conectá-los em combos poderosos, esquivar-se, defender-se e repelir golpes à distância com graça e agilidade vistas em poucos games por aí, é muito divertido, empolgante e gostoso ser a Avatar! No começo do jogo, sem nenhum poder, já é bem bacana quebrar a fuça de capangas com golpes de Kung Fu. Entretanto, à medida em que o jogador recupera cada um dos quatro elementos e pode revezar seu uso com rápidos toques nos botões LB/L1 e RB/R1, é possível realmente massacrar inimigos cada vez mais numerosos e poderosos, combinando elementos diferentes para desferir combos realmente devastadores.

Outro ponto altíssimo em The Legend of Korra são os torneios de Pro-Bending: o esporte mais popular da Cidade da República serve não apenas como um divertido modo de jogo extra, mas também como um excelente tutorial (a primeira fase deste jogo é uma partida de Pro-Bending, inclusive), que permite que o jogador treine esquivas e deflexão de golpes elementais de longa distância com precisão – habilidades extremamente úteis ao longo do restante do jogo. Na minha opinião, essa forma de tutorial foi uma boa sacada da Platinum, que poderia ter se esforçado mais para oferecer fases bônus mais criativas do que meras imitações de Temple Run com a Naga.

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Presta atenção, Bolin!

The Legend of Korra foi uma surpresa bem agradável pra mim. Apesar de eu desejar fortemente que a Platinum tivesse mais liberdade pra botar todo seu potencial nesse jogo, o resultado final até que não foi tão ruim e, se por acaso não satisfizer os fãs da série de TV, ao menos proporcionará algumas boas horas de diversão para quem curte uma pancadaria descompromissada.

THE LEGEND OF KORRA

Plataforma avaliada: Xbox 360 | Desenvolvedora: Platinum Games | Publisher: Activision, Nickelodeon Interactive | Gênero: Ação, Beat ‘em Up | Multiplayer? Não.

The Legend of Korra também está disponível para PS3, PS4, Xbox One e PC.

Analista de Sistemas, desenvolvedor web e webdesigner freelancer. Sou viciado em videogames, amo literatura, tô quase voltando a desenhar e os ensinamentos de Ben Parker formaram o meu caráter.

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