Um épico de vingança na terra de Mordor, onde as sombras se deitam

Terra-Média: Sombras de Mordor é aquele tipo de jogo que acerta por apostar na simplicidade. Utilizando muitas mecânicas presentes na série Batman Arkham, o jogo consiste basicamente em atacar tudo que se movimenta pelo cenário, em um apertar frenético de botões. Apesar deste tipo de mecânica já ser bem conhecido, não deixa de ser divertido, principalmente quando aparecem dezenas de orcs para serem enfrentados de uma só vez. E, assim como na série do morcego, Sombras de Mordor consegue fazer o jogador sentir que realmente habita aquele mundo.

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Ao mesmo tempo em que o jogo possui uma história a ser seguida, essa história vai se desenvolvendo a partir de atitudes do jogador e criando uma narrativa única para cada um. Assim que termina o prólogo, somos atirados em um mundo aberto com algumas missões disponíveis. Mas para chegar até estas missões é possível enfrentar alguns orcs pelo caminho, ou evitá-los caso estejam em um grande número. Se optar pelo combate é possível escolher uma estratégia furtiva ou partir com tudo de peito aberto. Também é possível encontrar escravos humanos pelo caminho e fica a critério de cada jogador libertá-los ou não. Também existem algumas criaturas bem grandes e poderosas que, mesmo com o personagem em níveis avançados, só são derrotadas seguindo algumas estratégias.

Pode parecer repetitivo ficar matando orcs o dia inteiro, mas a grande sacada do game está na existência de uma hierarquia no exército das criaturas, gerada proceduralmente através do chamado Sistema Nemesis. Derrote um capitão orc e outro assumirá o lugar dele, ou o próprio acaba voltando ainda mais poderoso e exigindo vingança pelo que você fez. O mesmo acontece quando somos derrotados. O orc que nos venceu ganha mais poder no exército de Sauron e sempre que o reencontramos ele solta alguma piadinha sobre o fato de ter nos derrotado. Isso faz com que cada jogador acabe criando seus próprios antagonistas dentro do jogo e fazendo de tudo para matar aquele maldito orc que já o derrotou dezenas de vezes. A experiência de jogo acaba sendo diferente para cada pessoa, já que cada um vai ter mais dificuldade em determinado tipo de inimigo. Outra coisa interessante é que, se você estiver online, é possível vingar a morte de amigos que também estejam jogando Sombras de Mordor. Sempre que alguém morre para um capitão orc, uma mensagem aparece na tela dizendo que uma missão de vingança está disponível.

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Cada membro importante do exército possui algum tipo de vantagem ou fraqueza, cabendo ao jogador a escolha de utilizar alguma delas para auxiliar no combate. Se um capitão possui medo de fogo basta causar alguma explosão perto dele para que o mesmo fuja do local, sendo derrotado sem a necessidade de derramar uma gota de sangue. O exército de Sauron também vai se modificando conforme orcs tentam tomar o lugar de outros à força. Nesses momentos o jogador pode até interferir nas disputas, ajudando um orc a vencer o outro (caso seja vantajoso) ou então aproveitar a briga e matar logo os dois, fazendo com que o exército perca forças. Para ajudar ainda mais na imersão, conforme avançamos no jogo os orcs começam a conversar sobre nossos feitos. Alguns falam com medo sobre o “Nunca-Morto”, enquanto outros comentam sobre a nova armadura que estão construindo para evitar ataques aéreos.

Os gráficos do jogo estão lindos (na nova geração e no PC), com texturas bem realistas. A capa de Talion, protagonista do jogo, possui movimentos bem naturais, assim como o cabelo dele. A espada utilizada por ele parece brilhar com a luz do sol e as roupas são repletas de pequenos detalhes, sejam fivelas nos cintos ou desenhos na capa. Já os orcs, apesar de bem detalhados, não possuem muitas variações entre si, com exceção dos capitães e dos chefes, mas nada que atrapalhe a diversão. A quantidade de personagens em tela se movimentando ao mesmo tempo e sem queda de framerate também é impressionante. Em determinado momento eu quase nem conseguia mais identificar o meu personagem em meio aos inimigos, mas nenhum lag aconteceu.

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No departamento sonoro o jogo também não decepciona, utilizando de forma inteligente até a pequena saída de som no controle do PS4. É possível escutar bastante coisa no jogo, como conversas distantes, espadas rangendo em batalhas, o barulho da grama quando nos esgueiramos pelo território inimigo etc. A localização do jogo para o Brasil também ficou muito boa, com uma dublagem de qualidade para todos os personagens principais e para a maioria dos orcs. Claro que alguns orcs mais genéricos ganharam dublagens sem muito esmero, mas esses são mais raros e não chegam a incomodar. Além disso, todas as informações escritas do jogo foram traduzidas para o nosso idioma.

Infelizmente, Sombras de Mordor é mais um jogo que tropeça na reta final. Depois de várias batalhas épicas ao longo da campanha, o game nos entrega combates finais bem decepcionantes e que passam longe da epicidade prometida pela narrativa. Apesar de não estragar a experiência geral, esses combates finais acabam sendo um banho de água fria em um jogo que caminhava tão bem. Mesmo assim, Terra-Média: Sombras de Mordor é um game extremamente divertido, principalmente para os fãs de Senhor dos Anéis.

TERRA-MÉDIA: SOMBRAS DE MORDOR

Plataforma avaliada: PlayStation 4 | Desenvolvedora: Monolith | Publisher: WB Games | Gênero: Ação | Multiplayer? Não.

Terra-Média: Sombras de Mordor também está disponível para PS3, Xbox 360, Xbox One e PC.

Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

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