Conhecendo os podres de Raccoon City em Resident Evil 2

Conhecendo os podres de Raccoon City em Resident Evil 2

re2-capaApós comerem o pão que o diabo amassou no primeiro Resident Evil, os membros sobreviventes do S.T.A.R.S. voltaram para Raccoon City determinados a denunciar a corporação Umbrella para as autoridades. Infelizmente, a empresa possuía muito poder e isso, somado ao fato de que era difícil acreditar em histórias de zumbis, fez com que ninguém acreditasse nos policiais. Revoltado, Chris Redfield viaja para a Europa com o objetivo de encontrar provas contra a Umbrella. Mas talvez ele devesse ter ficado porque, três meses depois, as coisas iriam piorar muito na cidade.

A história de Resident Evil 2 se passa cerca de três meses depois do primeiro game, quando dois forasteiros chegam à cidade. O primeiro é Leon Scott Kennedy, um policial novato que chega para o seu primeiro dia de trabalho na cidade. Primeiro, último e pior dia de trabalho, diga-se de passagem. Quase simultaneamente, chega à cidade Claire Redfield, que foi até Raccoon para procurar seu irmão Chris. Assim como no primeiro game, em RE2 o jogador também pode escolher com quem vai jogar. A novidade aqui é que essa escolha é feita na hora de colocar o CD do jogo, que na verdade vinha com dois. No primeiro disco, nós controlávamos Leon, enquanto o segundo era o disco de Claire.

A abertura do game já dá o tom de caos no qual a cidade se encontra depois que o novo vírus da Umbrella se espalhou. Leon chega de carro e encontra uma garota caída no meio da estrada e, ao tentar ajudá-la, quase é atacado pela mesma. Enquanto isso, em outro ponto da cidade, Claire entra em uma lanchonete e também começa a ser perseguida por mortos-vivos. Neste ponto a história dos dois se cruza e eles resolvem ir para a delegacia de polícia, onde Leon acreditava que estariam seguros. O interessante desta abertura é que ela tem uma pequena variação. Na cena em que a viatura bate no poste, dependendo de qual personagem o jogador escolheu, o carro bate de frente ou com a traseira.

Além de apresentar uma nova arma biológica (o G-Virus), Resident Evil 2 nos mostra que as garras da Umbrella alcançavam muito além do que se imaginava. Sendo a maior empregadora da cidade, praticamente nenhuma autoridade queria mexer com ela, sendo até conivente com seus experimentos secretos. O laboratório nas montanhas Arklay do primeiro jogo, por exemplo, era apenas um pequeno local para testes. O grande centro de pesquisas da empresa se encontra mesmo é nos subterrâneos de Raccoon City, tendo como uma das entradas secretas a sala do chefe de polícia da cidade.re2-17

Além de Leon e Claire, o jogo trouxe também personagens secundários bem interessantes, como Ada Wong, que chega à cidade com a desculpa de procurar seu namorado, mas que possuía objetivos mais sombrios. Temos ainda Willian Birkin e sua esposa Annete, dois dos criadores do G-Virus, mas que tinham seus próprios planos para ele, que não incluíam a Umbrella. No meio desse fogo cruzado, estava a filha do casal, Sherry, que carrega sem saber a última amostra do G-Virus dentro de seu pingente.

Como os zumbis deixaram de ser novidade para quem jogou o primeiro jogo, o começo de Resident Evil 2 abandonava a aura de mistério e investigação do antecessor, já colocando o jogador no meio da rua para enfrentar vários zumbis. Além dos que atacavam de frente, outros saiam dos destroços em chamas que ficavam atrás dos personagens. Isso, somado ao fato de ter pouca munição, criava um sentido de urgência para escapar dali o mais rápido possível. O começo do jogo era realmente bem empolgante e diferente do primeiro, com cenários como lojas de armas, becos apertados, quadras de basquete e até mesmo um ônibus abandonado. Não demora muito, porém, para que cheguemos até a delegacia de polícia e o jogo volte ao esquema do anterior, com um amplo cenário a ser explorado, repleto de passagens secretas.

Uma das grandes novidades de Resident Evil 2 era que cada personagem possuía dois cenários para serem jogados. Ao terminar o game com um dos personagens, o jogador usava o save game para jogar o segundo cenário do outro personagem, que mostrava o que ele andou fazendo enquanto você zerava o jogo. Além das diferenças entre uma partida e outra, o que você fazia no cenário de um influenciava no do outro, como pegar algum item que serviria para os dois personagens, por exemplo. Esse sistema de cenários A e B dava um fator replay muito grande para o jogo, principalmente levando em conta que já existiam diferenças nos cenários, dependendo de qual personagem você escolhesse. Do jeito que as coisas são hoje, provavelmente a Capcom lançaria todo esse esquema de cenários como um DLC.

Entre essas diferenças, estavam os personagens secundários. Do lado do Leon, nós somos apresentados à espiã Ada Wong, que voltaria a aparecer em Resident Evil 4 e 6. Jogando com Claire as coisas são um pouco mais difíceis, uma vez que em certas partes do jogo assumimos o controle de Sherry Birkin, uma criança que não faz nada além de correr e se desviar dos monstros que aparecem pelo caminho. Além disso, cada personagem possui armas exclusivas, como a shotgun para Leon e a besta para Claire.

O fator replay aumentava ainda mais graças aos cenários secretos que eram desbloqueados caso o jogador alcançasse certas condições. Na verdade, era apenas um cenário secreto, mas que podia ser jogado com dois personagens diferentes. O primeiro deles era o mercenário da Umbrella chamado Hunk, que possui a missão de levar uma amostra do G-Virus de volta para a Umbrella. Ele possui algumas armas, munições e itens de cura limitados e é realmente um desafio terminá-lo. Para quem ainda não achou isso desafio suficiente, temos o personagem Tofu, que nada mais é do que um queijo de soja gigante. Ele aguenta muito mais dano que qualquer personagem do jogo, mas é armado apenas com uma faca e não possui item de cura algum.

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Sempre tem algo pra nos lembrar de que se trata de um game japonês, né?

Apesar de continuar com o sistema de controle do jogo anterior, Resident Evil 2 trazia uma bela inovação no sistema de dano. Este foi o primeiro jogo da série a mostrar o status da saúde no próprio personagem, sem a necessidade de entrar no menu para saber como está sua energia. Quando o life ficava no amarelo, o personagem colocava a mão na barriga para mostra que não estava muito bem. Já quando a energia ficava no vermelho o jogo ficava até mais difícil, pois o personagem perdia a capacidade de correr. Então se a munição acabasse e você não tivesse mais itens de cura, provavelmente iria morrrer, já que correr também deixava de ser uma opção. O legal deste jogo também é que, em certo ponto, os personagens ficavam com uma aparência diferente. Leon era atingido por um tiro e passava a andar com o peito enfaixado, enquanto Claire tirava seu colete rosa e ficava apenas com a blusa preta. Na época, isso era um avanço e tanto, pois dava uma sensação maior de realidade.

Além dos tradicionais zumbis, cachorros e aranhas mutantes, Resident Evil 2 trouxe os temidos Lickers para perturbar os jogadores. Essas criaturas nojentas tinham os cérebros expostos e possuíam uma longa língua e garras para atacar os personagens. Eles assumiram o lugar dos hunters para fazer as decapitações no jogo. E falando em decapitações, o game trouxe algumas das mortes mais impactantes da série, como um personagem que é rasgado de dentro pra fora por uma espécie de parasita gigante. Sem contar o crocodilo gigante, que foi um dos monstros mais comentados pelos fãs na época do lançamento do jogo.

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Resident Evil 2 é, sem dúvidas, um dos grandes capítulos da série, o único porém fica por conta dele prometer uma coisa e não cumprir. Os trailers que saíam na época davam a entender que o jogo se passaria em uma Racoon City totalmente infectada e repleta de caos, algo que só aconteceu no terceiro game da série, já que RE 2 se passa quase o tempo inteiro dentro da delegacia e do laboratório. Mas nada que estrague este grande jogo.

[Texto de minha autoria, publicado originalmente no site PlayStation Blast,
parcialmente atualizado em alguns trechos.
Licença deste texto: BY-SA 3.0.]

Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

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