Resident Evil 3: o último jogo da série no PlayStation

Resident Evil 3: o último jogo da série no PlayStation

re3-capaComo eu comentei no texto sobre Resident Evil 2, o jogo prometia tirar os personagens de um lugar fechado e jogá-los nas ruas de uma Raccoon City tomada por mortos-vivos. Infelizmente, só uma pequena parte do game se passava nas ruas, sendo a maior parte dentro da delegacia de polícia e em laboratórios. Mas a ideia da cidade em caos por causa de um surto do T-Virus era boa demais para ser desperdiçada. Eis que, em 1999 (é, amigos, já faz tempo), a Capcom nos brindou com Resident Evil 3: Nemesis (Biohazard 3: Last Escape, no Japão), que colocava a protagonista do primeiro jogo, Jill Valentine, em uma fuga desesperada pela cidade destruída.

Resident Evil 3 é dividido em duas partes: a primeira se passa 24 horas antes de RE2 e a segunda acontece 24 horas depois. Na história, enquanto Chris foi para a Europa investigar mais sobre a Umbrella, sua namorada Jill ficou em Raccoon City terminando algumas investigações antes de partir para o Velho Continente também. Como os problemas sempre perseguem essa galera, antes que Jill consiga escapar a cidade é tomada pelo T-Virus e nossa adorada heroína tem que lutar mais uma vez pela sua sobrevivência. Felizmente, aqui neste jogo a personagem não é mais tratada como alguém frágil, que se assusta com qualquer coisa e precisa sempre de ajuda, tomando as rédeas da situação desde o começo.

Conforme o jogo avança, Jill encontra outros sobreviventes e alguns mercenários da Umbrella que foram enviados à Raccoon para apagar as provas de culpa da empresa. Um desses mercenários, Carlos Oliveira, é controlado pelo jogador quando ele acaba ajudando Jill no momento em que ela é infectada pelo T-Virus. Assim como no segundo jogo, você já começava sendo jogado direto na ação e enfrentando alguns comedores de cérebro em um corredor estreito.re3-06

Uma das grandes novidades desse terceiro game foi, sem dúvida alguma, a possibilidade de andar pela cidade destruída. Claro que o esquema continuava basicamente o mesmo, com várias portas trancadas e o jogador tendo que resolver quebra-cabeças para destrancá-las, mas o fato de andar por vários pontos da cidade era uma grande evolução para a série naquela época. Além do já conhecido departamento de polícia de Racoon City, o jogador podia visitar hospitais, lanchonetes, parques, cemitérios e tantos outros locais propícios para os ataques dos zumbis.

Para aumentar o sentido de urgência do jogo, a Capcom colocou um novo e poderoso adversário caçando os jogadores desde o começo: Nemesis. O monstrengo foi criado pela Umbrella com o objetivo de matar todos os sobreviventes da equipe STARS e é a grande ameaça enfrentada por Jill durante todo o jogo, aparecendo em diversos locais diferentes quando o jogador menos espera. Nemesis é o responsável, por exemplo, por matar o piloto Brad Vickers, o fujão do primeiro Resident Evil e que é encontrado como zumbi no segundo jogo.

Os encontros com Nemesis trouxeram também outra novidade para a série, que foi a possibilidade de escolher entre enfrentar a criatura ou fugir. Quando o inimigo aparece, a ação fica em câmera lenta e o jogador tem um curto espaço de tempo para decidir o que fazer. Caso decida pelo combate é bom que tenha muita munição sobrando, pois Nemesis é bem resistente. Em compensação, a cada derrota do monstro ele deixa uma maleta com itens para montar uma arma especial ou munição infinita. Já quando o jogador decide fugir, geralmente é mostrada uma cena de Jill escapando de alguma maneira. Porém, nem sempre é tão fácil, em algumas partes Nemesis continua correndo atrás de você tela após tela, até se cansar. Ele foi a primeira criatura da franquia a conseguir cruzar telas atrás do personagem.re3-10

Resident Evil 3 também apresentou algumas novidades na jogabilidade da série. Pela primeira vez, o jogador não podia mais escolher com quem jogar, mudando de personagem de acordo com o decorrer da história. A dificuldade do game também foi ampliada em comparação com os dois anteriores, com a munição sendo algo mais raro, fazendo com que o jogador tivesse que pensar duas vezes antes de começar a atirar. Para compensar isso, foi incorporado um sistema de esquiva no qual, ao apertar o botão de ataque no momento certo, o personagem desviava do ataque do zumbi e ainda o empurrava, abrindo espaço para uma possível fuga.

Também foi neste jogo que surgiu o giro de 180 graus, muito útil quando se precisa fugir com certa urgência (e urgência entenda-se Nemesis). Mas a grande inovação nos combates ficou por conta da possibilidade de criar sua própria munição. Em vários pontos do cenário nós encontramos pólvora, possibilitando que o jogador criasse munição para a arma que estivesse mais necessitado. Como nada na vida é fácil, para criar munições para as armas mais poderosas, é preciso juntar vários tipos de pólvora diferentes, o que acabava enchendo o já escasso inventário.

Graficamente Resident Evil 3 não era tão diferente do seu antecessor, mas apresentava alguns novos tipos de zumbis. Lembro que na época a grande atração era o zumbi gordo, que aparecia uma ou duas vezes durante todo o jogo, mas já era alguma coisa pra quem estava acostumado a sempre enfrentar o mesmo tipo de zumbi magro dos jogos anteriores. Já as cenas em CG, que surgiram no game anterior, estavam ainda mais bem trabalhadas e repletas de ação e explosão.

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Resident Evil 3 encerrou com chave de ouro a participação da série no PlayStation One. A explosão de Raccoon City, ao final do game, marcou o fim de uma era e serviu para mostrar que as garras da Umbrella iam muito além da pequena cidade. Ao terminar o game, o jogador ainda podia ler os epílogos de alguns personagens, que davam pistas de qual rumo a série poderia tomar. Pelo menos dois desses epílogos (do Chris e do Leon) se tornaram excelentes jogos: RE – Code Veronica e Resident Evil 4, que saíram para a geração 128 bits.

[Texto de minha autoria, publicado originalmente no site PlayStation Blast,
parcialmente atualizado em alguns trechos.
Licença deste texto: BY-SA 3.0.]

Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

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