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Global Game Jam 2015: eu não fui, mas eu fui

Cobertura da segunda edição da Global Game Jam, em Natal, RN

Quem me conhece sabe que um dos meus objetivos profissionais para o futuro, um dos meus sonhos de criança, é me tornar um desenvolvedor de games. O cada vez mais forte cenário brasileiro dos jogos independentes, com seus exemplos de vitória sobre as adversidades, me incentivou cada vez mais a correr atrás desse objetivo, seja estudando os conhecimentos necessários, seja participando de eventos e ações relacionadas.

Outro dos meus sonhos, algo mais utópico e idealista (mas como dizem por aí, é sempre mais bacana jogar no hard), é possibilitar que mais pessoas com esse sonho possam realizá-lo, mas eu não fazia ideia do que fazer para concretizar essa meta. Foi quando, em meados de 2013, alguns amigos me convidaram para conversar sobre um evento que estavam dispostos a realizar aqui na minha cidade e precisavam de voluntários para ajudar a trazer esse evento para Natal, que infelizmente nunca teve uma cultura e mercado de gamedev muito fortes. E foi assim que, em janeiro de 2014, nossa cidade foi sede da Global Game Jam pela primeira vez em sua história.

Este ano tivemos a segunda edição da GGJ aqui em Natal. Infelizmente questões pessoais e profissionais me impediram de organizar a Jam novamente – e até mesmo de participar criando algum jogo (ou ao menos tentando). Mas eu fiz o que pude pra ao menos dar uma passadinha no Jam Site e conferir como estavam as coisas por lá.

Impressões sobre a GGJ

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Nada melhor para ter ideias para um novo jogo do que jogar, certo? 😉

Logo de cara a estrutura oferecida pela Escola de Ciência e Tecnologia (EC&T) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) me agradou pra caramba! Dessa vez o espaço oferecido foi bem maior e os Jammers puderam se acomodar de forma mais confortável. A quantidade de participantes este ano, apesar de ainda ser pouca, foi maior do que a do ano passado, o que animou a organização da Jam Site.

Marcelo Melo, um dos organizadores, admitiu falhas cometidas pela organização da GGJ mas, no fim das contas, ficou feliz com os resultados e parabenizou os participantes pelos ótimos trabalhos produzidos. Francisco Narto, também da organização, ficou igualmente animado: “Tivemos um aumento real de quase o dobro de participantes. 9 jogos feitos [Nota do editor: na verdade foram 10] e, diferente da jam de 2014, 2 foram analógicos, quebrando um ‘tabu’ da era digital“.

Patrícia Felinto, uma das participantes – e a única mulher – gostou do evento no geral, mas lamentou não haver mais garotas participando da iniciativa, além de sentir uma falta de entrosamento geral dos participantes: “Fiquei muito isolada … poderia ter sido mais divertido”.

Lápis e papel!

Por falar em jogos analógicos, realmente foi bacana ver jogos desse tipo serem desenvolvidos pela primeira vez, juntamente com os tradicionais games de computador, todos seguindo o tema deste ano: O que faremos agora (What do we do now?)?

No trabalho de Patrícia – um boardgame sobre situações cotidianas – os jogadores se deslocam por vários bairros de Natal, coletando recursos e suprimentos, enquanto enfrentam adversidades e suprem necessidades variadas até chegarem ao seu destino. A ideia da desenvolvedora é tematizar o jogo como se os jogadores fossem turistas passeando por pontos turísticos e bairros variados da cidade.

Além do boardgame, também tivemos um jogo de cartas inspirado em fantasia medieval e caça a tesouros, criado pela equipe de Thiago Abreu.

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Uma das cartas do jogo de tabuleiro criado por Patrícia Felinto

Potencial

Fico um pouco triste por não ter feito parte da edição desse ano, seja como organizador ou como participante, mas ao mesmo tempo fico feliz que o evento esteja crescendo, ainda que de forma um pouco tímida. É realmente bem complicado fomentar essa área profissional, o desenvolvimento de games, em um local do país que não tem um pingo de tradição para isso: o RN é um mercado consumidor de games incrível, mas infelizmente não vemos muitos desenvolvedores de jogos despontarem por aqui. Mas sei perfeitamente que não há espaço para coitadismos e é por isso que eu tento desde o ano passado fazer a minha parte para mudar este cenário pro aqui.

E é por isso que eu também compartilho da visão otimista do Francisco Narto sobre o potencial que o RN possui no cenário de gamedev: “Penso que o que fizemos: organizadores, Jammers, InPACTA, COMCET [Nota do editor: InPACTA e COMCET são duas organizações que ajudaram na realização do evento este ano] e canais de tv; é o início de um potencial evento de apoio à indústria de jogos no RN“.

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Eis os jogos desenvolvidos pelos Jammers na GGJ 2015 em Natal, RN:

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Analista de Sistemas, desenvolvedor web e webdesigner freelancer. Sou viciado em videogames, amo literatura e os ensinamentos de Ben Parker formaram o meu caráter.