Virei adulto. E agora? – Parte I: vida de universitário

Quando eu conversei com alguns amigos sobre o Conquista, no dia seguinte ao nosso lançamento, um deles me deu uma ideia bastante interessante. Talvez necessitado de sugestões sobre o assunto, talvez apenas por querer saber mais a respeito, esse amigo me sugeriu escrever sobre como lidamos com a vida adulta sem deixar nosso passatempo favorito de lado.

Quando a gente é criança ou adolescente nosso tempo não vale nada. Ou ao menos era assim na minha adolescência em meados dos anos 1990 e na de muitos amigos e conhecidos meus da mesma época (hoje em dia tem muito moleque empreendedor desde os, sei lá, 14 anos por aí. Geraçãozinha porreta essa hein!).

Seja como for, quando ficamos adultos nosso dia-a-dia vai ficando bem mais atribulado e cheio de compromissos, responsabilidades e contratempos, restando-nos menos tempo pra descansar e fazer o que gostamos de fazer pra manter a mente arejada. No caso de quem curte games, a impressão que temos é que os efeitos da chegada da vida adulta agravam ainda mais a situação. Se para um adulto que não joga e nunca jogou videogame 24 horas já não basta, imagine pra gente como eu, que costumava zerar Congo’s Caper (SNES) na locadora da rua toda semana, tendo zerado o mesmo jogo cerca de 30 vezes!

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Não, isso não é uma hipérbole, nem estou tentando ser engraçado. Eu realmente fazia isso.

A medida que vamos crescendo, nossa paixão pelos games nos faz acreditar que sempre conseguiremos conciliar vida adulta e hobby. Mas a verdade nos mostra que as coisas nem sempre são do jeito que a gente quer.

Faculdade e games

Percebe-se que eu gostei muito da ideia de falar sobre a relação vida adulta/games… mas é impossível para um pobre mortal como eu versar sobre todos os aspectos de ser um adulto pagador de impostos que trabalha, paga contas, cuida da casa, é pai/mãe de família, mas se recusa a largar o controle do PlayStation, já que eu não tenho essa vivência toda em meus quase 31 anos de existência na face da Terra.

Então eu resolvi transformar essa ideia em uma pequena série de artigos aqui no Conquista. Nessa primeira parte falarei de uma fase da minha vida que se encerrou muito recentemente, na qual eu acredito ter conciliado com sucesso minhas obrigações com a diversão de jogar videogame: a vida universitária.

Segue abaixo uma listinha de dicas que eu elaborei a partir da minha experiência de vida nos últimos cinco anos. Durante o meu curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas no IFRN tive alguns altos e baixos, mas consegui manter a sanidade após concluir um curso tão difícil e exigente e me divertir no processo.

Nada disso aqui é novidade. Na verdade tudo que direi aqui nesse texto é o tipo de coisa que a gente naturalmente faz… Mas ainda assim, se você também é universitário (não necessariamente aluno desse mesmo curso) e deseja tentar conciliar estudo e diversão da melhor forma possível, espero que as próximas linhas lhe sirvam como um norte.

Organize-se

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Faculdade não é brincadeira. Seja qual for o curso, a rotina de estudos é muito mais puxada do que o Ensino Médio jamais será. Eu mesmo costumo dizer que o Ensino Superior é quando a gente aprende a estudar de verdade (não que isso seja verdadeiro pra todo mundo, mas enfim…).

Antes de pensar em ter tempo para videogames, pense em ter tempo para TUDO na sua vida de universitário. Conheça os horários de suas aulas; confira se não haverá horários extras de aula durante a semana ou mesmo sábados letivos; separe tempo para atividades extracurriculares… enfim: tenha uma agenda super bem definida e organizada.

Tá liso e pretende estagiar? Então preocupe-se ainda mais com a organização do seu tempo, já que você passará praticamente dois terços do seu dia fora de casa (um terço assistindo aulas e outro trabalhando). Sem falar que quando finalmente chegar em casa, ainda terá que arrumar tempo para descansar do dia corrido e depois estudar, fazer trabalhos e se preparar para seminários. Só depois de tudo isso talvez lhe sobre algum tempo para jogar.

Ninguém disse que seria fácil, campeão. 😉

Doses homeopáticas

Já cansei de ouvir gente dizendo por aí que jogos pra quem não tem muito tempo livre são mais adequados se forem fracionados em seu design: divididos por fases curtinhas e com mecânicas simplificadas. Geralmente, tais jogos são associados aos consoles portáteis (às vezes de forma pejorativa, como se eles fossem menos dignos de valor do que consoles comuns ou computadores). Na minha opinião, é uma mentalidade coletiva como essa que impede que consoles portáteis dedicados e até mesmo smartphones e tablets recebam jogos mais elaborados e complexos (não que games assim não existam nessas plataformas, só não são tantos quanto eu gostaria… principalmente pros smartphones/tablets) e é por essa razão que eu rejeito toda essa baboseira.

Obviamente eu não sou dono da verdade e cada um é cada um, mas eu comprovei na prática que absolutamente qualquer jogo de qualquer tamanho pra qualquer plataforma pode ser aproveitado mesmo tendo pouco tempo livre, desde que se fracione não o jogo, mas a sua sessão de jogo.

Um exemplo: eu gosto muito de RPGs e sempre dou um jeito de jogá-los. Então bolei uma forma gradativa de aproveitar esse tipo de jogo. RPGs mais modernos, com missões divididas em quests menores (MMOs, por exemplo) são até mais fáceis de lidar, mas mesmo RPGs mais tradicionais divertem pra caramba se jogados “de pouquinho em pouquinho”.

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Durante muito tempo eu joguei dois RPGs no Nintendo DS: Final Fantasy IV e Dragon Quest IX. Nenhum desses jogos é naturalmente fracionado com quests (pelo menos não de forma explícita como os jogos de hoje em dia), então eu mesmo criava esse fracionamento na minha mente e o seguia a risca.

Como esse meu fracionamento funcionava? Simples: se eu sabia de antemão ou era capaz de deduzir o que iria acontecer, eu me programava de acordo. “Hoje eu vou grindar um pouco no World Map pra derrotar aquele chefe. Amanhã eu exploro a dungeon onde ele está até chegar ao primeiro save point. Depois de amanhã eu avanço mais na dungeon… talvez se der tempo eu tento enfrentar o chefe logo de cara”. Sacaram? E assim, durante o pouquíssimo tempo que me sobrava (pouco antes de dormir, durante o trajeto no ônibus, etc.) eu consegui zerar esses dois jogos no meu bom e velho portátil, além de ter chegado bem longe em Dark Souls quando eu chegava em casa.

É complicado se regrar dessa maneira, ainda mais se o jogo for muito bom e estivermos ansiosos pra jogar mais e mais. Exagerar na dose e estragar sua agenda (tão bem elaborada graças aos cuidados que você tomou após ler o tópico anterior) é a receita para o desastre. Mas depois que se pega a manha é recompensador.

Não subestime o que está dentro do seu bolso

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Esse jogo é foda! =D

Quem é dono de videogame portátil geralmente conta com um acervo bacana de jogos para passar o tempo no ônibus ou entre as aulas… mas quem joga apenas em um smartphone não tem muitas opções de jogos de qualidade, apesar da farta quantidade de títulos (especialmente para Android).

De qualquer forma, procurando direitinho é possível encontrar games de ótima qualidade e que vão te entreter por muito tempo em qualquer lugar! Eu me divertia pra caramba com Knights of Pen & Paper, Tekken Card Tournament e Monument Valley, por exemplo.

Em certas situações, seu smartphone pode ser um console portátil realmente formidável.

Simplicidade é tudo

Sim, sempre dá vontade de jogar aquele game de mundo aberto vistoso e cheio de coisas pra fazer, mas às vezes por mais que você se esforce e se organize, não dá pra jogar tudo que quer. Nessas horas eu apelava pra alternativas e conheci uma penca de coisa boa no processo!

Novamente jogos para smartphones são bem úteis, já que devido ao hardware para o qual são desenvolvidos, geralmente eles são mais simples e rápidos de se consumir do que games mais tradicionais. Além disso, sites como Kongregate, Newgrounds e Adult Swim são fontes incríveis de jogos simples e acessíveis. Muitos deles são extremamente bem feitos e divertem horrores!

Tem conta no Steam? Aquele monte de indies que você comprou no Humble Bundle mas ignorou porque queria apenas aquele jogo AAA fodão podem te surpreender. Foi assim que eu conheci pérolas como Hammerfight, Super Meat Boy, Jamestown, Machinarium e Botanicula.

Saiba quando parar. É sério!

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Lembra quando eu disse que faculdade não é fácil? Claro que lembra. E você não quer tornar as coisas mais difíceis, certo?

É claro que gostamos muito de jogar e lamentamos cada minuto que nos falta para gastar em nosso passatempo favorito, mas é muito importante darmos prioridade ao que realmente faz a nossa vida crescer e melhorar. Daí a importância de deixarmos o videogame de lado quando se faz necessário: por mais que esse hobby nos traga imensos benefícios, nunca é uma boa ideia ignorar os estudos só por algumas horas a mais de diversão.

Além disso, jogar videogame é uma atividade que exige grande esforço mental: dependendo do quão cansado você esteja depois de um dia cheio de aulas, uma boa noite de sono sempre será bem mais benéfica para seu corpo e mente do que uma raid em World of WarCraft. Então o meu conselho é que respeite seus limites e saiba quando largar o joystick.

Lembre-se: videogame é a coisa mais importante entre as MENOS importantes. 😉

Arejando a mente…

gameoverBom, era isso que eu tinha pra compartilhar com vocês. Basicamente era assim que eu me organizava e conciliava uma rotina pesada de estudos e formação acadêmica com minha paixão pelos videogames. O fato de eu não ter parado completamente de jogar inclusive influenciou no meu TCC sobre Jogos Sérios, já que eu constantemente estava em contato com referências reais em conjunto com os textos acadêmicos que me foram necessários.

Espero que tenham gostado desse meu primeiro texto sobre o assunto. Em breve virá aqui no Conquista a parte II desta coluna, que abordará videogames, trabalho e família.

Talvez nada disso seja novidade para muitos, mas é sempre uma boa ideia dividir experiências como estas. Gostaria muito de saber o que vocês fazem para conciliar estudo e diversão, então a caixa de comentários aí embaixo está ao seu dispor.

LEIA TAMBÉM: Virei adulto. E agora? – Parte II: videogames, trabalho e família.

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