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Crianças, parem de brigar!!!

Opinião sobre as discussões sem sentido entre fanboys sobre qual plataforma é melhor, quando na verdade achamos que o mais importante é se divertir

Nos primórdios das minhas jogatinas eu era um feliz proprietário de um Super Nintendo (SNES), onde cresci jogando Mario, Killer Instinct e International Super Star Soccer. Eu era feliz e aquele era meu mundo. Um dia um colega meu me apresentou o Mega Drive e seu Sonic. Torci o nariz e durante alguns anos não consegui olhá-lo de forma positiva. Para mim, ele era um objeto inferior ao que eu possuía.

Meu amigo, obviamente, discordava da minha opinião. Nascia assim (mais) dois fanboys. Nessa época fomos apresentados a maior rivalidade que existiu nos anos 1990 e, porque não, até hoje.

Esse tipo de rivalidade seguiu durante os anos e vimos PlayStation 1 brigando com o Nintendo 64, o PlayStation 2 tendo de encarar o Game Cube e o primeiro Xbox e as brigas mais recentes entre Wii, PlayStation 3 e Xbox 360 além da nova geração com o Wii U, PlayStation 4 e o Xbox One. Fora os PCs que sempre estiveram disputando com todos os consoles por fora e a eterna briga entre os portáteis.

Eu consegui quebrar esse paradigma no dia em que conheci o Sega CD e joguei Star Wars: Rebel Assault. Destruir a Estrela da Morte não só foi recompensador pelo fato de fechar o jogo ao lado do meu pai, mas talvez ele tenha sido o jogo mais importante da minha vida gamer por ter aberto a minha mente e me deixar olhar pro lado e ver as vantagens que cada plataforma poderia me proporcionar, sem me obrigar a tomar partido nessas disputas de qual é melhor.

Então virei uma pessoa (e um gamer) melhor e passei a admirar todas possibilidades de jogatinas que tinha diante de mim.

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Ei você! Para de frescura e joga a gente! =D

Hoje é difícil entender porque poucas pessoas tiveram essa percepção. A maioria defende sua plataforma preferida com unhas e dentes esquecendo-se que nenhuma é perfeita. Ser assim só vai te transformar em um mala-sem-alça que, muito provavelmente, não deixará ninguém falar em uma roda de amigos ou em fóruns online caso haja opiniões adversas as suas.

Isso não te faz uma pessoa engajada com algo que acredita, mas sim te transforma em um babaca. E convenhamos, ninguém gosta de jogar ou conversar com babacas.

Mas para comprovar a teoria de que fanboys acabam perdendo mais agindo dessa forma vou pegar o exemplo da geração que mais se digladiou no mundo gamer, a eterna disputa entre o Super Nintendo e o Mega Drive.

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Rolava altos cacetes entre SEGA e Nintendo!

Enquanto o console da Nintendo trazia algumas franquias interessantes e com forte apelo com o público, como Mario e Donkey Kong, o Mega Drive não conseguia trazer personagens com o mesmo carisma, mas, em contrapartida, trazia Streets of Rage, o Mortal Kombat igual a versão dos fliperamas sem a censura encontrada na versão da Nintendo, Sonic e periféricos modernos, como o Sega CD, que permitia jogos em CDs ao invés de cartuchos, e o Super 32x, que otimizava o pequeno console da Sega e o transformava em um 32 bits como o PlayStation One.

As vantagens e desvantagens equilibradas de cada um ficam ainda mais evidentes quando chegamos aos números oficiais de vendas. Estima-se que o Mega Drive vendeu cerca de 41 milhões de unidades no mundo todo e o Super Nintendo em torno de 49 milhões. São valores bem próximos e se compararmos ao volume de vendas de consoles atuais é algo bem considerável.

Nas disputas mais atuais vimos um PlayStation 2, insuperável em todos os quesitos em que era colocado, sendo chacoalhado por um Nintendo Wii que, mesmo sendo inferior graficamente, tinha a grande vantagem de ser um console mais família, com foco na diversão e nos movimentos do que qualquer outra coisa visto na época do seu lançamento. Ou então um Xbox 360 que surpreendeu a todos com uma qualidade gráfica e de processamento levemente superior ao PlayStation 3 e com o surgimento do Kinect, melhorando aquilo já apresentado pela Nintendo no Wii.

E só para não dizerem que sou um “caixista” ou “nintendista”, meu console favorito de todos os tempos continua sendo o PlayStation 2, que por sinal foi o primeiro que comprei com recursos próprios. O Xbox 360, ao meu ver, conseguiu ser mais console que o PS3, tem controles mais ergonômicos, jogos com menos problemas técnicos e trouxe a evolução do sistema de movimento da Nintendo no Kinect. Mas isso não quer dizer que odeio a Sony e o PlayStation 3, até porque sempre falei que os exclusivos dela são mais interessantes que os da Microsoft, fato que me levou a optar pelo PlayStation 4 ao invés de Xbox One atualmente. Não que isso irá me impedir de comprá-lo futuramente, mas ele não foi minha primeira opção.

brick-gameSomente a título de curiosidade, eu atualmente tenho um Xbox 360, um Wii, um Nintendo 3DS, um Nintendo 64, um Game Boy Color, um PlayStation 3 e um 4. Isso só porque não tenho dinheiro para comprar mais e porque fiz a besteira de ter vendido meus consoles mais velhos, como o Super Nintendo, meu PlayStation One, na sua primeira versão cinza e o tijolaço do meu PlayStation 2, também do primeiro modelo. Ainda quero o Wii U que, apesar de eu considerá-lo atrasado, pois deveria ter vindo antes para acirrar mais um mercado então dominado pelo PS3 e o X360, tem muita diversão me esperando por lá. Quero o Xbox One pelo Kinect novo e seus exclusivos que são bem atrativos, mas não muitos em quantidade e qualidade.

Mas o que realmente nos importa é que qualquer plataforma têm jogos muito bons e que vão conseguir nos proporcionar prazer ao jogar.

Dê um portátil daqueles vendidos no Paraguai que possuem 1 milhão de jogos em 1 (e que no fundo são apenas variações de Tetris), a uma criança ou alguém que não tenha muito contato com game e veja se não conseguirão se divertir. Não interessa os defeitos que cada um pode ter ou todo o fanboyzismo envolvido. O que importa é aquilo que nos faz bem.

Até porque eu sei que você já deu uma conferida no concorrente do seu console favorito e, lá no fundo, gostou do que viu. Então não seja criança e brigue por coisas que valem a pena, como a sua invencibilidade no FIFA ou no PES ou para mostrar a sua supremacia no Mortal Kombat ou no Street Fighter.

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Curitibano que não fala lEitE quEntE, mas acha que biscoito é um ultraje as bolachas. Joga video games desde o dia em que seu pai apareceu com um Atari e um grande saco repleto de jogos e desde então já ouviu muitas vezes "esse video game vai estragar a televisão" e "você vai ficar cego de tanto olhar para essa tela".