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Um debate sobre as remasterizações

Um desabafo sobre a grande quantidade de remasterizações de jogos da geração passada.

Atualmente eu posso me considerar um acumulador colecionador de videogames e jogos. Tenho uma quantidade de itens razoável guardados lá em casa e sempre que bate aquela saudade, volto a jogar algo das antigas. Mas dá uma trabalheira desligar uma coisa, ligar outra, desmontar, montar, jogar um tempo, desmontar de novo, colocar no lugar e deixar tudo do jeito que estava no início. Muito trabalho para pouco tempo de diversão.

Emuladores resolvem por algum tempo, mas computadores são um poço de distrações sem fim, então sempre tem alguém te chamando para conversar, uma notificação nova, alguma atualização interessante e o “jogar” acaba perdendo o sentido.

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É muito divertido… até você ter que arrumar a bagunça.

Mas ainda sentimos o desejo de voltar as origens. De mostrar aos mais novos aqueles jogos que fizeram nossas mentes nos anos 1990 e inicio dos anos 2000. Só que nem todos tem tempo, disposição e dinheiro para correr atrás de consoles antigos e seus respectivos jogos. E é aí que entram as remasterizações.

Elas vieram para trazer principalmente os clássicos aos consoles das últimas gerações, normalmente a preços bem atrativos se compararmos à época de seus respectivos lançamentos e aos lançamentos atuais e com frequência entram em promoções na Xbox Live, na PlayStation Network e na Nintendo eShop (canadense por favor, porque a brasileira não tem nada que preste), ficando ainda mais acessíveis.

E é fantástica essa ideia, especialmente aos mais saudosistas. Só no ano de 2014 e início de 2015, por exemplo, vi dois jogos que nunca imaginei jogando novamente sendo remasterizados. No caso, DuckTales Remastered para PlayStation 3, Xbox 360 e PC e Grim Fandango para PlayStation 4, PlayStation Vita e PC. Duas pérolas que joguei durante minha infância/adolescência. O primeiro joguei em algum momento da minha vida, mas como não tive um Nintendinho eu não lembro se foi na casa de algum colega ou em emuladores. O segundo peguei emprestado de um amigo da escola e joguei no primeiro computador comprado pelos meus pais. Nostalgia pura jogar ambos novamente com visuais um pouco mais moderninhos e bonitos, mas com a mesma jogabilidade e história de outrora.

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Alguns outros jogos bastante importantes também receberam suas versões remasterizadas, Metal Gear Solid HD, Silent Hill HD, Devil May Cry HD, Resident Evil e muitos outros com terminações remastered ou HD saíram e ficaram muito bons.

Claro que nem tudo são flores. As empresas perceberam ali uma grande mina de ouro e começaram a “remasterizar” qualquer coisa, especialmente durante a mudança de geração recente. Isso provavelmente acabou com as possibilidades de vermos retrocompatibilidade nessa geração, já que essas empresas acham que edições remasterizadas provavelmente excluem a necessidade dessa opção nos consoles. Nesse quesito, ponto para a Nintendo que sempre teve retrocompatibilidade de pelo menos duas gerações.

E a partir daí tivemos Saints Row IV, que mal havia sido lançado para PS3 e X360 e já tinha garantido uma versão remasterizada para o PS4 e para o XONE. O último Devil May Cry também seguiu essa linha. The Last of Us ganhou sua versão, mas seu caso é (quase) justificável já que foi um jogo muito aclamado pela crítica e, principalmente, pelo público. Grand Theft Auto V é quase um jogo novo tanto para geração atual quanto para PC (o que também pode ser considerado um pouco de fanboyzismo da minha parte).

O pior é que compramos e incentivamos a indústria a reutilizar jogos não tão velhos assim para as novas plataformas. Vide GTA V (Xbox 360 e PS4), The Last of Us (PS3 e PS4) e, futuramente, Borderlands 2 (Xbox 360 e PS4).

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Claro que tenho minha parcela de culpa. Também não sou de ferro: além desses três citados no parágrafo anterior eu ainda namoro edições HD do Final Fantasy X/X-2, de Resident Evil e de Silent Hill. Fora que se surgissem remasterizações de jogos como Elder Scrolls – Morrowind, Oblivion e Skyrim, além do Fallout 3 eu compraria fácil.

Não que isso seja errado ou completamente ruim, mas em alguns casos parece que algumas empresas resolveram se preocupar em apenas trazer versões remasterizadas a se preocupar em produzir novidades para nós.

Nem todos os jogos possuem perfil para um relançamento, por isso deveriam ficar quietos nas plataformas em que nasceram para morrerem com dignidade.

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Curitibano que não fala lEitE quEntE, mas acha que biscoito é um ultraje as bolachas. Joga video games desde o dia em que seu pai apareceu com um Atari e um grande saco repleto de jogos e desde então já ouviu muitas vezes "esse video game vai estragar a televisão" e "você vai ficar cego de tanto olhar para essa tela".