World of WarCraft e a rodinha de hamster

World of WarCraft e a rodinha de hamster

O post a seguir foi originalmente publicado por mim no extinto site Nota Zer0 Games, em 21 de março de 2013

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Quando criança, minha maior diversão era juntar meus amigos em torno do meu Super Nintendo e fazer um grande campeonato de International Superstar Soccer Deluxe – eu sei que você leu isso como no áudio original – ou Campeonato Brasileiro 96. Ambos divertidíssimos para a época. E ficavamos todos ali, jogando, ganhando ou perdendo, mas sempre era a maior diversão para todos nós. Fomos crescendo e quando peguei meu Mortal Kombat Ultimate e Killer Instinct nossas prioridades eram outras. A porradaria comia solta e os nossos delicados controles de Super Nintendo não aguentavam o tranco. A cada um ou dois meses precisávamos fazer uma vaquinha e comprar novos.

E entre copos de vinho doce e vagabundo e partidas de Winning Eleven – Pro Evolution Soccer é o caralho!! O nome dessa porra É Winning Eleven!! E Fifa era uma bosta. – no PS2, passamos a adolescência.

Esse era o nosso multiplayer. O mais divertido era zoar o amigo, fazer golaços e vencer lutas perfeitas. Não existia a internet para nós e nem para os games.

Hoje a modinha – e isso já vem de alguns anos atrás, mas está se alastrando mais rápido que gripe do porco – é o Massive Multiplayer Online, vulgo MMO. Joguinho onde você pode se juntar aos amigos das internets e partir para uma épica campanha – caso seja um RPG – ou apenas uma partidinha ~descompromissada~ – há quem diga que não exista esse tipo de partida em MMOs – de um shooter qualquer.

Sempre fui contrário a essa onda, pois enquanto todos achavam Counter-Strike o jogo mais foda do mundo, eu estava mergulhado em Half-Life e toda a sua trama interna. Enquanto as pessoas começavam a mergulhar no mundo de World of Warcraft, eu estava virando noites jogando os games das séries Final Fantasy e Breath of Fire.

Mas algumas semanas atrás resolvi tentar me livrar desse preconceito e fui atrás de jogar um dos MMOs mais badalados de todos os tempos: World of Warcraft (WoW). Depois de umas duas horas de jogatina o tédio me consumiu e desisti de jogar. Logo em seguida resolvi postar uma grande dúvida em meu perfil no Facebook:

Por que as pessoas jogam World of Warcraft? O que esse jogo tem de interessante?

Recebi muitas respostas em favor do jogo, inclusive algumas tentando mostrar pontos positivos do jogo, como o fato dele só ficar legal após você atingir o nível máximo (oooiiiii?!?!?) e que para chegar a esse ponto teria de jogar, em média, umas duas horas por dia durante um mês inteiro. Façamos um calculo. Trinta dias vezes 2 horas, daria um total de 60 horas de jogo. Cara leva 60 HORAS DE JOGO para que ele possa ficar interessante e divertido?! Poxa Skyrim com menos de 10 minutos te leva ao êxtase que o game inteiro vai lhe proporcionar e nem preciso chegar ao nível 10 para ficar legal. Outra forte argumentação foi o fato de que WoW possui um enredo muito bem construído por roteiristas e escritores, além de a história se basear em ações dos próprios jogadores, além dos personagens não-controláveis (NPCs) que possuem uma grande importância para a continuidade do contexto.

Ok. Vamos avaliar os argumentos a partir da minha perspectiva de jogo.

Primeiro que não disponho de tanto tempo assim somente para jogar. O trabalho, a faculdade, a família e as poucas horas que durmo tomam, praticamente, 100% do meu dia, já ficando bem complicado de jogar aqueles games que considero divertidos. Tenho uma bela pilha da vergonha, onde ficam livros, hqs, revistas, jogos e diversos projetos pessoais dos quais preciso concluir ou dar continuidade. Então eu não teria 2 horas diárias para ficar matando bichinhos para ganhar level. Ainda possuo alguma vida social, ao contrário do nosso amigo abaixo.

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Sim, World of Warcraft pode acabar com a sua vida social e te deixar igual a esse garoto.

Outro fator importante é que a própria internet nos deixou muito mais preguiçosos. Enquanto líamos textos gigantescos alguns anos atrás, nos primórdios dos blogs, hoje nos contentamos com vídeos bobos de menos de cinco minutos e qualquer coisa acima disso já nos faz dispersar ou desistir de ler ou assistir. Confesso que se um jogo não consegue prender minha atenção logo nos primeiros 10 minutos, com certeza irá parar na pilha da vergonha ou nunca o comprarei. Eu não consigo ficar me imaginando jogando 60 horas de qualquer coisa sem que me divirta e tenha aquela grata sensação de “putz, isso é foda pra caralho!”.

Só para vocês, leigos em World of Warcraft, entenderem melhor. Lá existe um tal de fator de repetição, ou grind como chamam os especialistas, onde o objetivo é entrar em uma quest e durante todo o percurso ficar matando bichinhos – que nem sempre são seus inimigos – para ganhar level e, ao final de toda a matança, concluir a quest. Faça isso durante horas e horas a fio e entenderão o que quero dizer. O Filipe Siqueira expressou muito bem isso com a frase, que para mim se tornou clássica já no seu nascimento, que “World of Warcraft e outros MMOs são como rodinhas de hamster.” e é claro que são. O hamster corre naquilo, se exercita, fica mais saudável, forte e com menos estresse, mas ele estará sempre no mesmo lugar, na mesma gaiola, limitado àquele espaço pré-determinado pelo seu dono.

E WoW é isso. Corre, entra numa quest, bate em alguns bichinhos, foge de outros mais fortes, completa a quest e pega o prêmio. E, segundo um dos colegas que responderam a minha pergunta, isso é necessário para que chegue até o nível máximo e possa se divertir jogando PvP (Player vs Player ou o jogador mais forte matando e pilhando os jogadores mais fracos).

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E aí?! Prefere uma tela cheia de informações desnecessárias ou uma tela limpa para curtir mais o cenário do jogo?

O último fator é o da grana. Não que eu esteja choramingando por não querer pagar as 15 dilmas mensais, mas porra, compramos o jogo (50 pilá o mais barato que achei e você ganha um mês de grátis para jogar online!) e cada expansão na faixa dos 99 reais e ainda pagamos para jogar online? Ok. A Xobx Live faz o mesmo e o pior, leva os nossos rins cobrando 199 reais por cada lançamento, mas – e ênfase no MAS – lá eu tenho bons jogos, ao contrário do que penso sobre WoW.

Haters vão chorar, reclamar e, muito provavelmente, me xingar, mas o que posso fazer? É a minha opinião. Se quiserem posso passar uma lista de jogos do Atari que são muito mais divertidos que WoW.

Só tomem cuidado para ninguém mudar a senha da sua conta ou teus pais contratarem assassinos profissionais para eliminar teus personagens, porque o melodrama de vocês pode ir parar no YouTube e passar a ser o divertimento do povão!

Curitibano que não fala lEitE quEntE, mas acha que biscoito é um ultraje as bolachas. Joga video games desde o dia em que seu pai apareceu com um Atari e um grande saco repleto de jogos e desde então já ouviu muitas vezes "esse video game vai estragar a televisão" e "você vai ficar cego de tanto olhar para essa tela".

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