Viva impressionantes combates espaciais em Strike Suit Zero

Viva impressionantes combates espaciais em Strike Suit Zero

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Uma das coisas mais interessantes e divertidas proporcionadas pelos games é a possibilidade de fingir ser capaz de dirigir veículos diferentes do que poderíamos na vida real, sejam máquinas de guerra idênticas às reais como os tanques e helicópteros de Battlefield, sejam as fictícias naves espaciais de clássicos como Star Fox e Wing Commander. É por esse motivo que os simuladores possuem sempre um público cativo e ávido por liberdade de voo, dogfights e grandes aventuras, impossíveis de serem acompanhadas por terra ou por mar.

Mas infelizmente esse gênero fascinante — o dos simuladores de voo e de combate aéreo — perdeu muita força com o passar dos anos. Até onde me lembro apenas a série Ace Combat mantém o gênero vivo com títulos regulares (e quase sempre muito bons) e mesmo a Microsoft — que outrora reinava absoluta com seu clássico Flight Simulator — desistiu desse tipo de jogo, tendo fincado o prego no caixão de sua franquia ao abandonar seu último título: o gratuito Flight e se limitando a apenas lançar uma versão remasterizada do décimo jogo da série no Steam recentemente.

No caso de jogos com a ficção científica e as aventuras espaciais como temática, a situação é ainda mais crítica: Wing Commander teve seu último jogo lançado em 2007 e só recentemente a Nintendo se lembrou da saudosa franquia Star Fox, com um novo jogo que está sendo desenvolvido para o Wii U.

Apesar de ter jogado poucos games de simulação de voo, sempre me diverti bastante travando minha mira em aeronaves inimigas, disparando mísseis e ouvindo satisfeito o som de uma explosão acompanhado de um “Bullzeye” escrito na tela. Por isso fiquei muito surpreso e curioso ao saber da existência de Strike Suit Zero. Após assistir a um streaming desse título independente em um dos vários canais do Twitch, resolvi literalmente pagar para ver se minhas recém-adquiridas boas expectativas seriam correspondidas.

E agora posso dizer que não tenho motivo algum pra me arrepender dessa decisão!

Os dois lados de uma guerra

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O ano é 2299. Uma guerra interestelar tem início. Revoltosas por terem seu direito à independência negado pelas Nações Unidas da Terra (United Nations of Earth, U.N.E.), as diversas Colônias humanas espalhadas pela galáxia resolvem se unir em uma coalizão com o objetivo de atacar o planeta Terra. Após cientistas das Colônias encontrarem um misterioso artefato em um gélido planeta, eles propõem uma trégua aos governantes da Terra em troca da oportunidade de explorarem a descoberta e se beneficiar da estranha tecnologia que jazia na cratera sob a neve.

Entretanto, cientistas da Terra descobrem algo nos destroços do artefato que os deixam intrigados e que pode ser de valor incalculável, decidindo por não dividir a descoberta com os Colonos. Os Líderes das Colônias decidem expulsar os cientistas da Terra do local de repouso do artefato, proibindo o prosseguimento das pesquisas e, em retaliação, a Terra revoga o direito de os Colonos serem independentes.

A guerra se intensifica como nunca. Um armistício é inevitável, mas ambos os lados tentam ao máximo postergar o cessar fogo.

Neste cenário conturbado, você é um piloto de caça espacial integrante da U.N.E. com a função de proteger uma estação de defesa próxima ao planeta Terra. Após algumas missões no espaço profundo, você e sua equipe é contactada por uma estranha entidade: uma forma de vida altamente avançada, híbrida de humano e máquina, que atende apenas pelo nome de Controle. Este ser o informa sobre a existência de uma espaçonave que ela mesma projetou, chamada Strike Suit, que é capaz de se transformar de um veloz caça padrão em um potente robô humanoide altamente armado.

Com esta nova arma em mãos, agora você é uma peça-chave para a vitória da Terra nesta guerra, além de um trunfo a ser usado para servir aos interesses da U.N.E.

Fronteira Final?

Sabe aquele seu amigo que não conhece muito os jogos independentes e fica falando mal, dizendo que todo indie game tem “gráfico tosco de 8 bits antigão”? Da próxima vez que você encontrá-lo, mostre Strike Suit Zero pra ele.

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É fato que os gráficos não são o único quesito que importa em um game, mas sempre é agradável perceber como não só o visual de Strike Suit Zero é extremamente bem feito, como toda a construção do cenário e do universo desse jogo impressiona! Desde pequenos detalhes como o design das diversas espaçonaves, passando pelos belíssimos efeitos de luz — com direito a rastros de luz deixados pelos caças pra Tron Legacy nenhum botar defeito — ao fato de absolutamente todas as naves participarem das batalhas com você e realmente fazerem a diferença em cada uma das 13 fases do jogo, Strike Suit Zero proporciona uma experiência única, oferecendo uma campanha digna dos mais respeitados Space Operas.

O simples ato de voar é muito agradável, aliando uma jogabilidade bastante precisa e confortável à sensação de liberdade proporcionada por suas extensas fases. Mesmo as fases que limitam o espaço de voo do jogador permitem que ele viaje à vontade sem apertos, enquanto abate um ou outro caça inimigo no processo tendo as belíssimas estrelas, planetas e nebulosas como pano de fundo para as missões.

E toda essa beleza gráfica se mantém de forma satisfatória em resolução e configurações de efeitos visuais mais modestos, já que Strike Suit Zero é leve o suficiente para rodar em computadores mais antigos (como o meu bom e velho notebook de 2009).

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800×600 píxels de resolução e qualidade gráfica no mínimo. Sim, o jogo é bonito assim mesmo!

Fico imaginando como ficará Strike Suit Zero quando seu suporte ao Oculus Rift ficalmente ficar pronto!

Hmm… lembrei de Macross!

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Por falar em voo, a jogabilidade de Strike Suit Zero também foi muito bem trabalhada, o que permite que o jogador se locomova no espaço com uma manobrabilidade ímpar, seja com os vários caças comuns ou com a potente e ágil Strike Suit.

Ao jogar com um dos caças ou com a Strike Suit em modo normal, o jogador controla seu veículo normalmente, seguindo a aerodinâmica do avião, que todos conhecemos: direcional ou mouse para baixo faz a nave subir, pra cima a faz descer, é possível girar a nave em torno de seu próprio eixo horizontal (Do a Barrel Roll!) para facilitar curvas e guinadas e por aí vai. Com o toque de um botão a Strike Suit entra em modo Strike, transformando-se em um robô: a partir daí as possibilidades de manobras são diferentes e bem mais ágeis, permitindo voar em oito direções diferentes na horizontal e na vertical, realizar esquivas e mirar em vários alvos em rápida sequência.

A característica principal do modo Strike é a barra de Flux presente no topo da tela (uma barra vermelha). Ela é preenchida sempre que se abate naves e estruturas inimigas. Ao abrir fogo estando como robô, gasta-se essa barra (que se esvai rapidamente, o que exige cuidado e precisão do jogador) e ao zerar a barra a Strike suit retorna ao seu modo normal, transformando-se em um caça.

Tudo isso pode ser executado com maestria pelo jogador após um pouco de treino, mas todos esses recursos de locomoção e ataque seriam mais bem aproveitados se Strike Suit Zero permitisse consultar seu rápido tutorial livremente, em vez de exibí-lo apenas na primeira fase e sumir com ele até o fim do jogo. Especialmente os comandos e ações do modo Strike são um pouco mais difíceis de decorar e executar, exigindo bem mais prática e um tutorial sempre acessível nas opções seria extremamente útil.

Além do mais, a excelente jogabilidade de Strike Suit Zero torna-se terrível ao se jogar com teclado e mouse. Recomendo que, se possível, dê preferência a um bom joystick.

Hinos da guerra

Se existe algo mais brilhante do que Strike Suit Zero é a trilha sonora de Strike Suit Zero. Criadas inteiramente pelo compositor Paul Ruskay (responsável pelas trilhas de jogos como Max Payne 2 e Homeworld, além de filmes como o documentário Welcome Home e a tragicomédia Ill Fated), as músicas desse simulador trazem um tom minimalista e ao mesmo tempo bastante épico, com seus toques e ritmos eletrônicos aliados aos fortes sons de instrumentos de percussão e até mesmo à voz robótica da cantora de uma das músicas embalando os impressionantes combates espaciais de Strike Suit Zero.

O resultado é uma graciosa mistura de Ghost In The Shell e Battlestar Galactica, que você pode conferir abaixo:

Em defesa da Terra

Strike Suit Zero é um impressionante achado. Nascido de uma bem-sucedida campanha de financiamento coletivo no Kickstarter, esta é mais uma das gratas surpresas oferecidas pelos desenvolvedores independentes que merece sua atenção — e o seu dinheiro! Se você, assim como eu, estava com saudade dos voos alucinantes, das dogfights desafiadoras e de uma boa dose de ficção científica na sua coleção de games, Strike Suit Zero foi feito sob medida para você!

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STRIKE SUIT ZERO

Plataforma avaliada: PC | Desenvolvedora: Born Ready Games | Publisher: Born Ready Games | Gênero: Shooter/Simulador | Multiplayer? Não.

Strike Suit Zero foi lançado originalmente para PC, nos sistemas Windows, Linux e Mac. Uma “versão do diretor” com conteúdo e melhorias adicionais foi lançada para PlayStation 4 e Xbox One. Uma versão para Android também foi lançada, mas roda apenas em dispositivos dotados do chip gráfico NVidia Tegra K1.

[Texto de minha autoria, publicado originalmente no site GameBlast,
parcialmente atualizado em alguns trechos.
Licença deste texto: BY-SA 3.0.]

Analista de Sistemas, desenvolvedor web e webdesigner freelancer. Sou viciado em videogames, amo literatura, tô quase voltando a desenhar e os ensinamentos de Ben Parker formaram o meu caráter.

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Arte de fundo criada por Nataly Al-Sayf
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