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The Witcher 3: Wild Hunt: tudo que há de melhor em RPGs

As aventuras de Geralt de Rivia fascinaram o Sayron e trocentos jogadores em todo o mundo. Saiba como em nossa resenha de The Witcher 3: Wild Hunt!

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Desde que pus as mãos pela primeira vez em Breath of Fire, para Super Nintendo, o RPG sempre foi meu gênero favorito em jogos de vídeo game. E a partir daí passei por diversos Final Fantasies, por Chrono Trigger e Chrono Cross e até o revolucionário Parasite Eve, que misturava elementos de jogos como Resident Evil com a estrutura e uma história profunda de um belo RPG. Até Zelda tentei jogar (mas não quero entrar nesse mérito agora). Isso só pra citar aqueles mais conhecidos do público.

Mas na grande maioria, talvez com a exceção de Zelda e Parasite Eve, todos eram baseados nos mesmos sistemas de evolução, combate e desenvolvimento da história. Tudo muito linear, com combates automatizados demais e baseados em turnos e eu sentia que algo faltava para esses jogos ficarem ainda melhores e não serem tão repetitivos.

Eis que em 2013 me deparo com o lançamento do The Elder Scrolls V: Skyrim. Até então nunca havia ouvido falar sobre a série e não entendia o porquê de tanto hype formado pelo seu anúncio. Tratei de correr atrás do tempo perdido para descobrir o que o jogo tinha de tão legal. Por sorte, comprei The Elder Scrolls IV: Oblivion a um preço MUITO bom e tive a oportunidade de conhecer a série e o que poderia ver em Skyrim futuramente.

Foi amor à primeira vista (ou jogatina…).

Um jogo que trazia os elementos desafiadores que tanto gostava em um RPG, com um imenso mundo aberto ao melhor estilo GTA – um dos melhores jogos sandbox que eu havia entrado em contato até então -, e com a possibilidade de imersão graças a jogabilidade em primeira pessoa.

Não tinha como não amar. E foi assim que comprei Skyrim no dia do seu lançamento e até pouco tempo atrás era meu jogo favorito pela eternidade do universo, com mais de 500 horas de jogo – e ainda sem completar 100% do jogo, já que as vezes fico vagando sem rumo por lá -, sempre retorno para lá quando posso.

Mas como eu disse, era meu jogo favorito.

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Toda essa introdução não está aí por mero acaso, até porque, como lido no título, essa é uma resenha de The Witcher 3: Wild Hunt e não de um dos jogos da Bethesda… mas é que eu realmente nunca achei que um jogo conseguiria me levar a tal experiência que tive com os dois Elder Scrolls citados ou algum outro Elder Scrolls que por ventura possa surgir.

Grande engano da minha parte. Jogar The Witcher 3: Wild Hunt foi a maior e melhor experiência de imersão e diversão, somado com o desafio de nível moderado – jogando no nível normal claro -, que não penaliza o principiante, mas também não entedia o jogador mais assíduo, e toda a beleza de um jogo da geração atual de consoles. Posso dizer que é uma obra prima e dificilmente algum jogo conseguirá chegar a tal patamar pelos próximos anos.

Mas vamos ao início de tudo.

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Para quem não conhece, a série The Witcher ela é baseada na obra de Andrzej Sapkowski, que conta a saga do bruxo Geralt de Rivia, através de quatro volumes. E sim, é um jogo baseado em livros e que creio eu ficou tão ou mais foda que os mesmos. Infelizmente, eu ainda não tive a oportunidade de lê-los, mas depois dessa aventura toda serei obrigado a tal.

O primeiro jogo foi lançado lá por 2007 apenas para PC e teve sua versão para console cancelada em 2009 devido a problemas com as partes durante o desenvolvimento. Felizmente a CD Project RED assumiu o desenvolvimento da franquia no mesmo ano e anunciou a sequência The Witcher 2 – Assassins of Kings, que foi lançado em 2011 pra PC e em 2012 para Xbox 360. O terceiro jogo da série foi bastante badalado e com o hype nas alturas foi lançado em maio de 2015 prometendo ser gigantesco e trazer o que há de melhor na nova geração em termos de jogabilidade e gráficos.

O jogo se passa exatamente após os acontecimentos do segundo e tende a encerrar a saga do bruxo no mundo dos games. O enredo é basicamente o reino de Nilfgaard tentando pela terceira vez tomar os reinos do norte, então temos uma terra devastada pela guerra enquanto monstros, bandidos e todo o tipo de coisa surgindo em torno disso.

Nisso Geralt é convocado pelo rei Emhyr var Emreis, vulgo o rei que samba na tumba das inimigas ou algo assim, para encontrar Ciri, sua filha com sangue ancestral que havia sumido a muitos anos e agora havia reaparecido e aparentemente com problemas, já que a temida Caçada Selvagem (Wild Hunt) estava no seu encalço para a conclusão de planos mirabolantes envolvendo uma tal de Geada Branca, dominação de outras dimensões (ou mundos como são chamados na história), já que Ciri era capaz de viajar entre eles exatamente devido ao seu sangue ancestral.

E no meio disso tudo você encontra diversos personagens dos jogos anteriores, antigos amores – e novos também -, e descobre que talvez os bruxos tenham de tomar partido na guerra pela primeira vez em séculos.

É aí que a treta começa.

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Entre contratos de caça, busca por tesouros e missões secundárias, Geralt de Rivia busca aquela que ele treinou e a qual considera como uma filha, Ciri – ou algo mais, dependendo do ponto de vista do jogador.

Bom, isso tudo é o que posso falar sem lhes dar nenhum spoiler da história.

O mais interessante do jogo é que suas missões, mesmo as mais banais, acabam sendo um belo desafio sem repetição. Eu arrisco a dizer que nessas mais de 200 horas de jogos não vi uma missão sequer que fosse igual, ao contrário dos The Elder Scrolls, que sempre há quests iguais, mas em lugares diferentes e que acabam se tornando entediantes com o decorrer do tempo.

Há semelhanças nas do The Witcher, mas sempre usa de meios diferentes para concluí-la ou outras formas de atrair os monstros e de matá-los. E isso torna o jogo impressionante e imprevisível, você não sabe o que te espera na próxima missão e não sabe exatamente qual o monstro que terá de enfrentar até concluir as etapas de investigação.

Outro fator bem interessante nas missões é que os desdobramentos que vão acontecendo de acordo com as suas escolhas podem torná-las gigantescas, podendo uma mera missão secundária durar uma a duas horas ou uma missão principal durar quatro a cinco horas. E isso não é ruim. Na verdade o maior problema é você não querer parar de jogar até terminar a missão, o que pode te custar algumas horas de sono ou breves discussões com esposa(o) ou namorada(o).

Como diz o amigo Storino: “Pode acontecer”.

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Os gráficos são fantásticos, trazem um cenário belo – e agoniante e devastado ao mesmo tempo, que transforma a guerra que ocorre em Skyrim numa brincadeira de crianças – com mudanças climáticas claras (ao contrário do que acabamos vendo em Far Cry 4, que temos um clima constante exceto nas montanhas) e uma iluminação de cair o queixo, corpos enforcados balançando nas árvores, campos de batalha infestados de corpos e carniçais e mais um monte de coisas que poderiam deixar pessoas mais sensíveis em choque. Só peca mesmo por pequenas falhas de renderização que acontecem durante o jogo e que, muito raramente, chegam a atrapalhar. Essa falhas acontecem especialmente no HUD do mapa e em alguns momentos dentro de ambientes com muitos NPCs. Não sei se ocorre também nas versões para PC e Xbox One, mas a do PS4 apresentou isso durante todo o jogo. Felizmente nas cutscenes não houve nenhum problema sequer.

O sistema de batalha continua igual ao do segundo jogo, um pouco complexo para os mais desacostumados com a série, mas nada que o impeça de jogar e aprender com o tempo. É tudo questão de prática, pois são muitos comandos a se memorizar e leva-se um tempo até se pegar o jeito com todos eles.

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Uma coisa que merece aplausos em pé de todos é a qualidade da dublagem, está espetacular e arrisco a dizer que é a melhor dublagem em jogos feita até hoje, superando inclusive a que eu considerava excelente que era a do The Last of Us. Mesmo os NPCs genéricos e que percebe-se que era um mesmo dublador que o fazia eles ao menos tiveram o cuidado de tentar mudar algo em sua voz para que você tivesse a sensação de singularidade do personagem. Um ótimo trabalho e espero que isso venha a refletir em outros jogos dublados que virão por aí.

Como dito no nosso primeiro Semanário do Conquista, a edição que adquiri foi a do PlayStation 4 e veio com mapa, trilha sonora e cartinha da CD Project RED, e posso dizer que me senti bastante feliz com o trato que eles deram a nós jogadores graças a esses pequenos mimos que nos foram dados.

Confesso que nunca dei muita bola para a série The Witcher, apesar de conhece-la a um razoável tempo. Nunca joguei o primeiro, mas comprei o segundo jogo para Xbox 360 em uma das promoções da Xbox Live, mas nunca dei muita atenção a ele. E confesso que me arrependo de não ter olhado esse jogo com muito mais carinho.

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Agora eu tenho uma longa jornada a cumprir. Ler os quatro livros da série já publicados no Brasil e jogar os dois primeiros jogos de cabo a rabo.

Aguardem…

THE WITCHER 3: WILD HUNT

Plataforma avaliada: PlayStation 4 | Desenvolvedora: CD Projekt RED | Publisher: CD Projekt RED | Gênero: RPG, Ação

Além do PS4, The Witcher 3: Wild Hunt também está disponível no PC (somente para Windows) e no Xbox One. Sua expansão Hearts of Stone será lançada em 13 de outubro no site oficial.

Você também pode comprar os livros que deram origem a franquia de games The Witcher a partir dos links abaixo:

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Curitibano que não fala lEitE quEntE, mas acha que biscoito é um ultraje as bolachas. Joga video games desde o dia em que seu pai apareceu com um Atari e um grande saco repleto de jogos e desde então já ouviu muitas vezes "esse video game vai estragar a televisão" e "você vai ficar cego de tanto olhar para essa tela".