Nostalgia, novidades e muita ação no Japão Feudal de Samurai Riot

Muita gente que eu conheço hoje em dia começou no mundo dos games graças a um gênero bem famoso: o Beat’em Up, ou “Briga de Rua” como também costumávamos chamar. Esse gênero fez a cabeça da molecada nos anos 1990 tanto nos fliperamas quanto nos consoles, divertindo e desafiando a garotada com a premissa simples de derrotar diversos inimigos em ondas cada vez maiores e mais desafiadoras de acordo com o que se avança no cenário – além, é claro, de enfrentar chefões difíceis e apelativos.

Meu primeiro contato foi com o clássico Battletoads in Battlemaniacs, o famoso jogo que geral morria e ficava desesperado na fase da motinha, mas eu já estava na fase de migração do meu Super Nintendo para um PlayStation. Lógico que é impossível esquecer esse trauma: até hoje não lembro se terminei esse jogo ou se apenas aceitei e desisti nessa maldita fase.

Depois disso conheci alguns clássicos como Double Dragon, Final Fight e Cadillacs and Dinosaurs e passei a curtir mais a experiência de jogá-los.

Eis que após tantos anos deixando um pouco o gênero de lado, cai em meu colo a oportunidade de conhecer Samurai Riot: um Beat’em Up com uma pegada old school, mas com uma temática bem diferente e com algumas características interessantes, mesclando tudo o que há de bom nos games mais antigos desse gênero com algumas ideias bem interessantes que só os tempos atuais nos permitem conhecer.

Samurai Riot foi desenvolvido pelo estúdio francês Wako Factory, que traz para este gênero a temática Japão Feudal. Nele você pode escolher entre dois personagens diferentes para controlar: Sukane, uma lutadora que usa ataques com socos e chutes, além de ter uma raposa que se transforma em bombas ou correntes para lhe auxiliar contra os inimigos; e Tsurumaru, um samurai mais típico com sua katana e alguns outros armamentos mais convencionais. Ambos fazem parte do clã True Honor e foram convocados pelo chefe do clã para interceder contra uma rebelião envolvendo alguns membros do mesmo.

Entre uma sessão de porradaria e outra o jogo te coloca em situações de dilema, nos quais você precisa escolher uma decisão a ser tomada. Tais decisões influenciam diretamente o percurso do jogo, alterando sensivelmente a fase seguinte e os rumos da narrativa, conduzindo o jogador rumo a um dos 8 finais diferentes da aventura. Tudo isso te tira da linearidade comum em jogos Beat’em Up, trazendo elementos mais modernos a uma velha roupagem.

Outro recurso interessante no jogo é a possibilidade de alterar a escola do personagem, para aprender novas técnicas e golpes especiais. As habilidades dessas escolas podem ser compradas sempre que se inicia uma nova partida, usando as moedinhas coletadas durante as fases.

Essas duas características – os diferentes finais possíveis e a possibilidade de alterar a escola dos personagens – são fundamentais para aumentar o fator replay rendendo muitas horas de diversão.

Um detalhe bem divertido no jogo é a possibilidade de realizar ataques combinados dos dois jogadores durante o modo cooperativo local: você e seu(sua) amigo(a) podem surrar os inimigos com combos mais potentes que coordenam ataques dos dois personagens para derrotá-los com maior facilidade. É uma ótima oportunidade de matar saudades dos tempos de fliperamas e dos coop locais dos videogames mais antigos, além de reunir os amigos para se divertirem juntos, incentivando o bom e velho multiplayer de sofá.

Mas é uma pena a Wako Factory não ter aproveitado e lançado um modo cooperativo online: seria bem divertido jogar com amigos online, facilitando a vida de quem não tem amigos que moram perto de sua residência para te visitar e jogar junto. Além disso, a dificuldade acentuada quase te obriga a jogar em coop e um modo multiplayer online facilitaria as coisas nesse sentido.

Algo que chama muito a atenção são os cenários, todos muito bonitos e bem feitos, possuindo bastante profundidade. Em compensação a variação de personagens é bem pequena e com algumas variações de cores apenas, mudando um pouco a movimentação de cada um e nada mais. Apesar de esta ser uma característica comum dos Beat’em Ups, os desenvolvedores de Samurai Riot poderiam ter inovado um pouco mais nessa parte para deixar um jogo um pouco mais interessante.

Outra coisa que me surpreendeu no jogo é a trilha sonora: uma mistura de instrumental oriental com uma batida de rap e música eletrônica. É bem divertido de se ouvir e dá vontade de ficar dançando na cadeira enquanto joga, apesar de que depois de alguns minutos de jogatina as músicas se tornam um pouco enjoativas.

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Em resumo, Samurai Riot é um jogo divertido e nostálgico para os fãs do gênero Beat’em Up ou para quem deseja um jogo mais descompromissado, mas pode frustrar um pouco aqueles que não têm o costume de jogar esse estilo, que costumam jogar sozinhos ou que esperam uma grande variedade de inimigos. É um jogo bem calcado nas características mais comuns aos jogos antigos, mas que brilha por tentar trazer novas ideias ao gênero.

SAMURAI RIOT

Plataforma avaliada: PC/Windows | Desenvolvedor: Wako Factory | Publisher: Nenhum | Gênero(s): Beat’em Up

Esta resenha foi elaborada com uma cópia do jogo gentilmente cedida pelos desenvolvedores.

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Arte de fundo criada por Nataly Al-Sayf
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