Mega Man 11: o campeão voltou!

Mega Man 11: o campeão voltou!

Acho que já fazia tanto tempo que eu até tinha esquecido a saudade que eu sentia de jogar um novo jogo do Mega Man. Durante muito tempo eu e todos os outros fãs de uma das franquias mais proeminentes da Capcom tivemos que nos contentar com relançamentos esporádicos, boas iniciativas independentes, jogos feitos por fãs ou promessas pretensiosas que frustraram todo mundo.

Felizmente a Capcom vem se esforçando bastante para mudar sua imagem – que andava bem suja desde a geração retrasada – e agora tenta ao máximo atender os anseios de seu público (re)lançando vários jogos de suas mais consagradas franquias. Recentemente foi a vez de Mega Man 11 finalmente dar as caras e eu posso dizer sem medo de errar que toda a espera valeu muito a pena!

Vou começar esse texto destacando a primeira característica que chamou minha atenção: a combinação da alta qualidade gráfica com a alta qualidade da jogabilidade. Mega Man 11 talvez seja o jogo da Capcom que melhor soube amalgamar o estilo de modelagem gráfica tridimensional com a maneira bidimensional de jogar. A Capcom vem aprimorando o que antigamente chamávamos de 2,5D desde Street Fighter IV, aliando a beleza dos gráficos 3D à precisão e a agilidade comuns em um game com jogabilidade 2D.

Mas é na décima primeira aventura do Mega Man que essa filosofia de criação chega ao seu ápice, entregando gráficos extremamente bonitos feitos com o melhor cel shading possível e ao mesmo tempo oferecendo o máximo de precisão possível nos comandos, de forma que Mega Man 11 não fica devendo em nada aos clássicos do Nintendinho.

Aliás, chega a ser impressionante a riqueza de detalhes desse jogo! À primeira vista, Mega Man 11 não parece ser um jogo tão caprichado graças ao seu tradicional visual mangá e observando-o como um todo esse jogo segue bem o nível de detalhamento visual padrão da série. Mas é nos pequenos elementos visuais que se evidencia o cuidado e o esmero dedicados pela equipe de desenvolvimento (que, pela primeira vez na história da série clássica, não é mais comandada por Keiji Inafune).

As explosões cheias de fagulhas que arremessam partículas pra todo lado; o belo jogo de luz e sombra em diversos cenários; o efeito de iluminação que ocorre ao atirar em áreas completamente escuras; a fumacinha que sai do corpo do Mega Man quando ele se superaquece ao usar o sistema Double Gear; a “fumacinha luminosa” bastante discreta emanada a cada simples disparo da Mega Buster… são coisinhas muito, muito pequenas e talvez sejam ignoradas por muita gente, mas que em conjunto contribuem para tornar o mundo por onde passeamos mais vivo, colorido e exuberante! Depois de um tempo jogando e observando tudo isso até percebi o quão boba foi minha reclamação pelo Mega Man correr meio esquisito.

Sério, a batalha contra o Fuse Man é verdadeiramente um espetáculo de encher os olhos!

Falando mais da parte mecânica e lúdica do jogo, o sistema Double Gear foi um excelente acerto, trazendo uma ótima dose de inovação à consagrada mecânica do jogo.

Tal sistema permite que a um toque de um botão o jogador manipule o comportamento geral do jogo durante um curto período de tempo: aperte LB/L1 e ative o Power Gear, dando potência extra aos disparos do Mega Man e aperte RB/R1 para ativar o Speed Gear e desacelerar a velocidade do jogo, dando-lhe mais tempo para reagir aos perigos que o cercam. Apertando os dois botões ao mesmo tempo o jogador libera a Técnica Double Gear, que temporariamente concede ambos os poderes ao robozinho azul (mas essa habilidade extra só fica disponível depois de zerar o jogo uma vez).

Esse novo recurso de jogabilidade serve não apenas para tornar o jogo mais acessível a quem não é acostumado com a franquia Mega Man, mas também adiciona uma camada extra de desafio e complexidade, incentivando o jogador a usar a habilidade certa nos momentos mais adequados ou necessários.

Por falar em acessibilidade, é interessante a mudança de mentalidade dos desenvolvedores ao conceber Mega Man 11. Mega Man sempre foi uma franquia de jogos que prezou pela dificuldade e pelo alto desafio, mas desta vez a intenção foi pegar um pouco mais leve e tornar o jogo mais convidativo para um público mais amplo.

Não é a primeira vez que isso acontece – Mega Man 10 contou com um “Modo Easy” e Mega Man 7 e 8 também eram naturalmente mais fáceis de jogar do que os jogos anteriores. Mas aqui houve um esforço legítimo em evitar que Mega Man 11 se fechasse para os fãs mais puristas e desse oportunidades para todo mundo se divertir.

Eu sinceramente não vejo problema nenhum em Mega Man se tornar um jogo mais fácil: se feito com cuidado, um jogo pode ser ao mesmo tempo bem desafiador para os gamers mais dedicados e bastante amigável para quem quer apenas dar uma relaxada. Mas talvez por inexperiência da nova equipe de desenvolvimento, eles erraram a mão na hora de criar a lojinha deste novo jogo e isso foi o suficiente para desequilibrar bastante a curva de dificuldade em Mega Man 11.

Além de comprar os itens de sempre na lojinha (como vidas extras, Energy Tanks, etc.), agora é possível gastar os parafusos coletados nas fases para comprar power-ups: itens equipáveis que dão habilidades extras como aumentar o tamanho dos tiros da Mega Buster, aumentar a quantidade de parafusos coletados, manter a velocidade do Mega Man alta mesmo durante o efeito do Speed Gear, entre outras coisas.

O grande problema é que não há limite para quantas power-ups equipar: você simplesmente vai comprando e equipando quase todas indefinidamente (a exceção é uma dupla de power-ups específicos que o jogo só permite escolher um ou outro para usar). Isso acaba deixando o Mega Man bastante poderoso, derrubando drasticamente um nível de desafio que já é bem abaixo do tradicional.

Em minha humilde opinião, esse problema seria resolvido de maneira satisfatória se a Capcom limitasse o número de power-ups equipados. Uns 3, no máximo, já ficaria de bom tamanho. Bom, quem sabe esse problema não se resolva em um provável Mega Man 12, né?

Outra característica que me fez torcer um pouco o nariz… ou melhor, os ouvidos… foi a música. Salvo algumas exceções, as trilhas sonoras dessa franquia costumam ser de alto nível, com músicas carismáticas e gostosas de se ouvir. Infelizmente eu não consigo dizer o mesmo da trilha de Mega Man 11.

Talvez você leitor(a) ache exagero da minha parte exigir que as músicas de um jogo extremamente recente como este sejam tão boas quanto as faixas clássicas de antigamente, mas eu tenho razões pra acreditar que a Capcom poderia ter mantido o alto nível dessa vez – ainda mais se levarmos em conta que Mega Man 9 não é tão antigo assim e sua trilha sonora simplesmente matou a pau!

Não é que as músicas de Mega Man 11 sejam necessariamente ruins, mas é possível perceber que as faixas compostas por Marika Suzuki (que já trabalhou em títulos como Mega Man Star Force 2, Dead Rising, Lost Planet 2 e vários jogos da franquia Monster Hunter) poderiam ser ainda melhores e mais cativantes.

Acho que a única música desse jogo que eu achei realmente muito boa é a que toca durante a fase do Block Man. Eu realmente curti pra caramba o estilo despojado e levinho dessa faixa! ^^

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Apesar desses pequenos revezes, acredito piamente que Mega Man 11 conseguiu ser um título realmente à altura do legado dessa grande franquia, além de provar aquilo que os desenvolvedores indies já sabem faz tempo: quando realmente se quer, até um jogo de baixo orçamento mas feito com zelo e dedicação consegue ter uma qualidade bem maior do que a megalomania e mediocridade de coisas como o decepcionante Mighty Nº 9.

Mega Man 11 consegue ser um jogo bastante divertido e respeitoso com os fãs de longa data, ao mesmo tempo em que convida novos jogadores a se cativar pela mais genial criação do doutor Thomas Light. Mas acima de tudo, se há algum grande mérito neste novo jogo, é o fato de que ele sabe respeitar o tempo do jogador. Com uma nova filosofia que alia bom desafio a um estilo amigável de jogar, Mega Man 11 é o Mega Man para quem ama Mega Man mas tem conta pra pagar.

Torço muito para que títulos futuros – seja na série clássica, seja na série X, seja em algum novo projeto que a Capcom possa vir a criar – se aproveitem dos erros e acertos deste jogo e que o meu bombardeiro azul favorito não demore mais tanto tempo para nos proporcionar mais de suas grandes aventuras.

[Capturas de tela por Giant Bomb.]

MEGA MAN 11

Plataforma avaliada: PC/Windows | Desenvolvedor: Capcom | Publisher: Capcom | Gênero(s): Ação.

Mega Man 11 também está disponível para PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch.

A ordem que eu consegui descobrir para derrotar os oito Robot Masters é: Fuse Man, Tundra Man, Torch Man, Blast Man, Block Man, Acid Man, Impact Man e Bounce Man.

Analista de Sistemas, desenvolvedor web e webdesigner freelancer. Sou viciado em videogames, amo literatura, tô quase voltando a desenhar e os ensinamentos de Ben Parker formaram o meu caráter.

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