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Mônica e a Guarda dos Coelhos: canhões, castelos, magia e muita diversão!

Dos criadores do premiado No Heroes Here, Mônica e a Guarda dos Coelhos é uma agradável mistura de ação, estratégia e trabalho de equipe.

Em meio à “corrida armamentista” por gráficos cada vez mais avançados e fotorrealistas e a um apelo cada vez maior por um público mais velho, houve um tempo em que eu tive a impressão de que a indústria de games não se preocupava mais tanto em oferecer conteúdo para as crianças. Felizmente a influência exercida pelos desenvolvedores independentes, pela ascensão dos smartphones, pelo resgate nostálgico de sucessos do passado e pela simples presença da Nintendo e sua filosofia no mercado evitou que o videogame se tornasse uma diversão exclusivamente adulta, garantindo a renovação do público e oferecendo opções de diversão interativa para gamers de todas as idades.

Fruto de uma parceria entre a desenvolvedora Mad Mimic Interactive e a Mauricio de Sousa Produções, acaba de chegar ao mercado mais uma opção interessantíssima para quem gosta de reunir a família diante da TV e se divertir com um bom multiplayer de sofá, que atende pelo nome de Mônica e a Guarda dos Coelhos.

Mônica e a Guarda dos Coelhos é uma revisitação do premiado jogo No Heroes Here, com fases modificadas e com referências e personagens exclusivos saídos diretamente do Bairro do Limoeiro. Eu nunca joguei o jogo original antes, então tudo nesse jogo era novidade pra mim.

O objetivo deste jogo é proteger seu castelo, e para isso é necessário recarregar constantemente os canhões posicionados em locais estratégicos do seu castelo e disparar coelhinhos de pedra contra as hordas de inimigos que se aproximam para invadi-lo. Para disparar os canhões, os jogadores precisam recarregá-los com pequenas porções de pólvora e com coelhinhos de pedra previamente preparados em mesinhas de trabalho espalhados pelo lugar.

Os coelhinhos de pedra podem ser energizados em qualquer uma das mesinhas mágicas coloridas, que concedem três poderes diferentes: coelhinhos de pedra azuis (Sansão) causam dano; coelhinhos róseos (Dalila) deixam os monstros inimigos mais lentos por alguns segundos; e os coelhinhos amarelos (Hércules) paralizam os alvos completamente, também por alguns segundos.

Falando assim aparentemente fazer tudo isso parece ser uma tarefa monótona e repetitiva. Mas bastam alguns minutos pra percebermos que Mônica e a Guarda dos Coelhos é uma verdadeira gincana! O jogo pode ser jogado por até 4 jogadores e todos precisam percorrer o castelo pegando pólvora e pedras para fabricar a munição, carregar os canhões e dispará-los contra os monstros que não param de vir constantemente, lançando ataques variados para tentar arrombar os portões.

O mais interessante de Mônica e a Guarda dos Coelhos é a liberdade que esse jogo proporciona para que os jogadores tomem decisões rapidamente. Geralmente cuidar sozinho de um canhão não é uma boa ideia, pois você demora bastante indo e voltando, pegando itens e recarregando as armas. Então os jogadores precisam dividir tarefas no meio do corre-corre: um prepara a pólvora, outro faz os coelhinhos de pedra, outro corre pra limpar os canhões… e por aí vai.

Esse forte incentivo ao trabalho em equipe torna a mecânica de Mônica e a Guarda dos Coelhos bastante dinâmica, gerando situações engraçadas e agradáveis, e dando uma gostosa sensação de vitória ao final de cada partida! A brincadeira fica ainda mais agitada conforme os jogadores progridem para as fases mais avançadas, com o layout do castelo ficando cada vez mais complexo e com novos dispositivos e engenhocas espalhadas pelo cenário (como portais de teletransporte, esteiras rolantes e interruptores que ativam paredes mágicas, por exemplo), o que torna as partidas cada vez mais imprevisíveis!

Cumpra as missões e colete os coelhos dourados para desbloquear todos os personagens da turminha!

Outra característica bastante positiva deste novo jogo da Mad Mimic é a sua curva de aprendizado extremamente acessível: sem exagero, é muito mais complicado eu explicar com palavras todas as regrinhas de Mônica e a Guarda dos Coelhos do que efetivamente você, leitor(a), aprender na prática e até mesmo ensinar outras pessoas a jogar.

Para colocar essa qualidade do jogo à prova – e também para ter companhia para testar este jogo e analisá-lo adequadamente, é claro – eu fiz questão de chamar a minha sobrinha de 7 anos de idade para jogar comigo. Bastou eu explicar “qual botão faz o quê” e experimentar a primeira fase algumas vezes e minha sobrinha já havia se acostumado completamente com a mecânica e aprendido as regras básicas do jogo.

Algumas partidas depois e ela própria já estava criando táticas na cabecinha dela pra vencermos o jogo da melhor maneira possível! “Titio, você vai naquele canhão da esquerda e eu vou nesse da direita”! “Titio, me ajuda a pegar pólvora enquanto o coelhinho azul fica pronto”! “titio, vou botar esse coelhinho rosa no canhão pra você!”. Certamente isso torna Mônica e a Guarda dos Coelhos um grande exemplo de jogo amigável até mesmo com quem não tem muita intimidade com joysticks, além de ser um belo tapa na cara de quem gosta de desmerecer as gerações mais novas de jogadores.

Talvez um dos pouquíssimos defeitos de Mônica e a Guarda dos Coelhos é a decisão – ao meu ver equivocada – de obrigar o jogador a controlar personagens 2D em um cenário 2D com a alavanca analógica esquerda em vez de com o direcional digital. A famosa, e atualmente tão esquecida “cruzinha” sempre foi  e continua sendo muito mais adequada para jogos de plataforma 2D, pois garante reações rápidas e maior precisão na movimentação por parte do jogador.

Em um jogo em que somos incentivados a correr o mais rápido possível pelo cenário, não faz sentido delegar a movimentação do personagem à alavanca analógica, que sempre vai exigir um esforço maior por parte do jogador para conseguir o mesmo nível de precisão do direcional digital (e quase sempre irá falhar).

Juntamente com a bizarra necessidade de ter que segurar um botão por X segundos para escolher algumas opções nos menus, essa é uma decisão de design e de interface de usuário que eu já tinha visto em alguns outros poucos jogos 2D modernos e que, sinceramente, não me agrada nem um pouco. Para mim, jogos de plataforma 2D precisam intrinsecamente do direcional digital para garantir precisão nos movimentos, enquanto o controle analógico é mais adequado para jogos 3D, que requerem uma movimentação mais suave e com maior nuance.

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Mônica e a Guarda dos Coelhos me fez compreender muito facilmente porque a obra original foi tão prestigiada por crítica e público. Com uma mecânica bastante criativa e variada, este jogo consegue ser complexo o bastante para desafiar os jogadores e mantê-los interessados, sem deixar de ser surpreendentemente amigável e convidativo mesmo para quem não tem muita prática no videogame. Além, é claro, de ser mais um grande título protagonizado por personagens tão queridos e tão importantes para todos nós.

MÔNICA E A GUARDA DOS COELHOS

Plataforma avaliada: PC/Windows | Desenvolvedor: Mad Mimic Interactive | Publisher: Mauricio de Sousa Produções | Gênero(s): Ação, Plataforma, Artilharia.

Mônica e a Guarda dos Coelhos também está disponível para Xbox One, PlayStation 4 e Nintendo Switch.

Esta resenha foi elaborada com uma cópia do jogo gentilmente cedida pelos desenvolvedores.

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Analista de Sistemas, desenvolvedor web e webdesigner freelancer. Sou viciado em videogames, amo literatura e os ensinamentos de Ben Parker formaram o meu caráter.