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Quantumleaper: física quântica, puzzles e gatos falantes em uma insólita aventura

Inspirado nos conceitos da física quântica, Quantumleaper nos coloca na pele de um cientista lutando por sua sobrevivência.

Um jovem desacordado recobra a consciência e se vê dentro de um estranho lugar. Ao explorá-lo, ele ouve um miado (!) e tenta seguir o som, em uma tentativa de se libertar. Em seguida o jovem encontra um dispositivo similar a um smartphone e, ao ativá-lo, é recepcionado por um indivíduo que alega ser um gato falante. O tal gato explica que o jovem está preso e será obrigado a fazer uma série de testes se quiser sair dali.

Sem acreditar em uma palavra do que o tal gato falante diz, o jovem tenta encontrar a saída por conta própria e, em um dado momento, sente uma sensação incomum. Quando ele olha para trás ele dá de cara com… ELE MESMO! “Hein?! Como assim?? Eu estou em dois lugares ao mesmo tempo??”.

Esse é só o comecinho da história de Quantumleaper, jogo independente criado e lançado em novembro de 2019 por Elias Sant’Anna, no qual nos encontramos como parte de um bizarro experimento científico e precisaremos usar nosso intelecto, astúcia e conceitos de física quântica para sobreviver.

Em Quantumleaper, controlamos o cientista Alexander Schrödinger (um nome não muito criativo, mas… ei, ninguém reclamou do nome do Isaac Clarke em Dead Space, então relaxa aí!), que se vê obrigado a realizar os experimentos do enigmático – e irritante – Zombie Cat para, talvez, recuperar sua liberdade. O jogador precisa explorar diversas salas labirínticas e resolver puzzles que usam mecanismos como interruptores, elevadores, lasers, portas automáticas e outros dispositivos, acionando-os de forma coordenada para avançar.

Nos primeiros minutos do jogo: o protagonista da trama começa a manifestar poderes que permitem que ele se comporte como se fosse um único átomo, ganhando a capacidade de existir em dois lugares ao mesmo tempo (conforme o princípio da sobreposição quântica). Mais adiante na trama, Alexander também acaba manifestando uma espada laser, que o ajuda a resolver puzzles que envolvem interruptores e elevadores, além de obviamente servir como arma.

O visual do jogo é um bocado sombrio, com plataformas, paredes, portas e engenhocas que parecem ter saídas de um grande armazem industrial, lembrando bastante uma mistura do minimalismo de Portal com o aspecto sujo e decadente de Blade Runner. A animação do personagem Alexander é bem simples e poderia ser um pouco mais bem feita, mas cumpre bem sua função. Já as músicas do jogo, hora lentas e soturnas, hora agitadas e caóticas, dão o tom certo pra cada momento.

Quantumleaper

A despeito de se parecer um metroidvania em um primeiro momento, Quantumleaper é um jogo estritamente linear, com diversas seções labirínticas separadas por salas onde o personagem pode recuperar vida e salvar seu progresso antes de seguir em frente. Cada grande seção oferece puzzles e dispositivos cada vez mais complexos e em um dado momento eles são dispostos de forma combinada, para aumentar a complexidade dos desafios propostos.

Nisso reside uma das características que eu mais adoro em muitos jogos de plataforma: a capacidade de fazer o jogador aprender uma certa mecânica, para em seguida testar a habilidade do jogador para ver se ele realmente aprendeu aquela mecânica, ao mesmo tempo em que introduz mecânicas novas e mais complexas para aprendermos.

Quantumleaper segue esse princípio até muito bem, mas infelizmente há uma característica nesse jogo que acaba atrapalhando o aprendizado: a presença de monstros, que acaba adicionando uma preocupação a mais para o jogador. Não que Quantumleaper não devesse ter combates, mas eu sinto que esse jogo poderia oferecer uma experiência ainda mais bacana se o foco em matar monstros não fosse tão acentuado.

Buracos de minhoca são apenas alguns dos interessantes elementos que formam os quebra-cabeças de Quantumleaper

Como se não bastasse, muitos desses monstros são bem difíceis de matar e itens de cura são um bocado escassos (embora uma atualização recente lançada pelo Elias tenha aumentado um pouco a quantidade deles), o que infelizmente acaba dando um ar punitivo ao jogo.

A maneira como a vida do Alexander é contabilizada também é um bocado estranha: uma vez que a porcentagem de vida chega a zero, ela não se renova quando perdemos um coração (começamos o jogo com 2) e a partir daí um único hit “mata” o personagem Perca os dois corações e é game over pra você. Talvez isso se deva à aplicação de algum conceito de mecânica quântica que o Elias aplicou aqui e que eu não entendo, então é até compreensível que essa parte do jogo funcione assim, mas eu não consigo deixar de achar isso bem estranho.

Felizmente você não é obrigado a matar monstros o tempo todo e os momentos de resolução de puzzles em Quantumleaper são excelentes, estimulando muito bem nossa capacidade de raciocínio. Além disso, para ser justo, alguns inimigos exigem que usemos o poder de estar em dois lugares ao mesmo tempo de maneira inteligente para derrotá-los – e em muitas situações isso é mais importante do que simplesmente meter espadada nos bichos!

Quantumleaper é uma experiência bastante interessante, com puzzles bem diferentes do comum, calcados em pura ciência. Mas é o tipo de jogo que exige certa dose de paciência, seja para solucionar seus quebra-cabeças, seja para derrotar as hordas de inimigos espalhados por esse bizarro mundo.

QUANTUMLEAPER

Plataforma avaliada: PC/Windows | Desenvolvedor: Elias Sant’Anna | Publisher: Nenhum | Gênero(s): Ação, Plataforma, Puzzle

Esta resenha foi elaborada com uma cópia do jogo gentimente cedida pelo desenvolvedor.
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Analista de Sistemas, desenvolvedor web e webdesigner freelancer. Sou viciado em videogames, amo literatura e os ensinamentos de Ben Parker formaram o meu caráter.

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