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E é por isso que já estou no trem do hype para Fallout 4

É, o Storino também ficou animado com o recente anúncio de Fallout 4. Hoje ele explica o motivo enquanto relembra suas experiências em Fallout 3.

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Virei fã de verdade de jogos de RPG eletrônico na época do primeiro PlayStation, que foi o auge dos RPGs japoneses. Com o tempo fui perdendo a paciência com aquele estilo de encontros aleatórios e combates por turnos e deixei este estilo de jogo de lado. Foi então que resolvi dar atenção aos RPGs ocidentais e escolhi Fallout 3 como minha experiência. E caras, jogar Fallout é o mais perto que se pode chegar de um jogo de interpretação como acontece nos tradicionais Role Playing Games de mesa. Por isso, é justificável todo o hype em cima do recém-anunciado Fallout 4 e o motivo de eu resolver escrever sobre a minha experiência com o terceiro game da série.

A primeira coisa que me chamou atenção é que o protagonista não é alguém que quer salvar o universo, você controla uma pessoa comum que apenas tenta sobreviver em um mundo pós-apocalíptico. E isso é fantástico! No caso de Fallout 3 o personagem quer simplesmente encontrar o pai dele, que sumiu do Vault 101, e acaba se envolvendo em várias tramas no decorrer da jornada. Assim que somos liberados para sair do Vault e explorar o mundo a sensação que eu tive é de estar totalmente perdido. A única indicação que recebemos é o objetivo da missão, que diz apenas “encontrar meu pai”, mais nada, nem indicações de onde devemos começar a procurar. A sensação que temos é de estarmos totalmente perdidos naquele mundo. Acostumado com os RPGs japoneses, confesso que fiquei meio frustrado com essa desorientação no início de Fallout 3, mas isso durou somente até perceber que aquele boneco na tela não era apenas um personagem qualquer, ele era o meu avatar dentro do mundo do jogo. Assim como eu, ele também não sabia nada sobre aquele mundo.

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A partir daí passei simplesmente a explorar aquele mundo hostil tentando cumprir o objetivo mais simples que existe: um filho em busca do reencontro com o pai. É claro que ao longo do jogo mais missões vão aparecendo, mas o objetivo principal é saber porque o pai foi embora sem explicações. E a liberdade proporcionada pela série Fallout é tão grande que é possível completar algumas missões antes mesmo de encontrar os NPCs que vão passar as tais missões. Neste caso basta conversar com eles e receber a recompensa pela tarefa já concluída. Muitas destas missões envolvem escolhas morais e de vida ou morte para pessoas que vivem naquele mundo desolado.

O meu envolvimento com o jogo foi tanto que algumas dessas escolhas eram realmente difíceis. Em determinado momento me deparei com uma sociedade na qual os ricos humanos exploravam os mutantes pobres e resolvi intermediar uma negociação de paz entre os dois clãs. O problema é que o líder dos mutantes me enganou e acabou dizimando o grupo rival. Em termos de game a missão foi concluída normalmente e ganhei meu XP, mas a minha raiva do líder mutante (e sua gangue) foi tanta que acabei matando todos eles, mesmo que no futuro eles pudessem se tornar importantes aliados. Enquanto em outros games poderia aparecer a mensagem de “game over” ou me impedir de fazer isso, Fallout 3 simplesmente continuou após a chacina, com aquele acontecimento agora fazendo parte daquele mundo. O mesmo acontece em várias outras partes do jogo, sendo possível até mesmo varrer uma cidade do mapa.

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Fallout é competente em fazer o jogador se sentir parte daquele mundo até mesmo quando temos objetivos marcados no mapa. São diversos os caminhos que podem ser seguidos para chegar a um mesmo local e, neste meio tempo, é possível encontrar várias situações e missões secundárias. Podemos escolher ir em campo aberto e acabar enfrentando diversas gangues malucas, ou ir pelos subterrâneos e acabar enfrentando diversas criaturas mutantes. Em alguns casos é possível até mesmo escolher um caminho que não possua qualquer inimigo. Podemos ainda encontrar um companheiro canino que o ajuda nas batalhas custe o que custar. E aqui vale apontar que a minha experiência com o jogo foi tão imersiva que quando meu cachorro morreu em determinado momento, eu fiquei triste de verdade, mas nem cogitei voltar em um save mais antigo, afinal de contas a vida é assim, shit happens.

Além de toda essa imersão oferecida pela série, Fallout ainda nos apresenta um fascinante mundo futurista-retrô. No universo da série, a cultura norte-americana permaneceu com os costumes e moda dos anos 1950 mesmo no século XXI. Com isso, toda construção tem o aspecto dessa década, assim como as músicas tocadas nas poucas rádios também remetem àquela época. Apesar disso, a tecnologia evoluiu bastante antes do holocausto nuclear, sendo possível encontrar robôs e armas laser entre as relíquias do passado. Com todos estes detalhes, Fallout 3 (e provavelmente o 4) não é um game para se jogar pensando apenas em zerar. Na verdade, ele pode ser terminado bem rápido (em cerca de 20 horas), mas o grande atrativo do jogo é viver de verdade naquele mundo e curtir cada minuto deste fascinante mundo pós-apocalíptico retrô.

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games.