Muito além de Raccoon City em Resident Evil: Code Veronica

Muito além de Raccoon City em Resident Evil: Code Veronica

re-code-veronica-capaOriginalmente, Resident Evil Code: Veronica foi programado para ser o terceiro jogo da série, mas como seria exclusivo do console Dreamcast, da Sega, acabou não levando a numeração oficial. O que é realmente uma pena, já que ele tem muito mais a ver com a história da série do que o Resident Evil 4. Felizmente, um ano depois do lançamento, a Capcom resolveu relançar este incrível game para o PlayStation 2, dando oportunidade para os sonystas experimentarem este belo jogo.

O game começa três meses depois de RE 2 e 3 e traz de volta alguns dos protagonistas mais carismáticos da série. Logo no começo temos uma cena de ação incrível que mostra Claire Redfield invadindo um laboratório da Umbrella. Porém, a garota se dá mal, sendo capturada e enviada à Rockfort Island, uma ilha na América do Sul onde se encontra mais uma das várias instalações da Umbrella espalhadas pelo mundo.

Como todo bom laboratório da companhia, não demora para que várias explosões aconteçam e o T-Virus se espalhe pelo local (os funcionários da Umbrella são os piores do mundo no que diz respeito à segurança no trabalho), enquanto Claire está presa em uma cela. Vendo que as coisas estão indo de mal a pior na ilha, um dos mercenários que capturaram Claire resolve libertá-la para que ela tenha chance de lutar pela própria vida. Neste ponto, assumimos o controle da jovem Redfield e começamos mais uma batalha pela sobrevivência em meio a dezenas de zumbis e outros monstros mais rápidos, violentos e letais do que os já simpáticos mortos-vivos.

Mais do que colocar os jogadores para encarar centenas de armas biológicas criadas pela Umbrella, o game se encarrega de revelar alguns segredos sombrios a respeito da criação da empresa e das pesquisas com vírus. Neste capítulo da saga somos apresentados aos herdeiros da família Ashford, que ajudou a fundar a Umbrella junto com a família Spencer. O roteiro também apresenta um novo vírus, o T-Veronica, que é capaz de causar mutações muito mais horrendas que os vírus dos jogos anteriores, muitas vezes fazendo com que a vítima nem sobreviva muito tempo após o processo.

Seguindo a tendência que foi iniciada no segundo jogo da série e aperfeiçoada no terceiro, em Resident Evil Code: Veronica, não ficamos presos a apenas um ambiente para ser explorado. São vários cenários diferentes, como dormitórios de funcionários, instalações militares, a mansão da família Ashford e até um pequeno submarino, que nos deixa tensos com a possibilidade de que surja algo para nos atacar a qualquer momento. Entre os cenários que mais chamam a atenção, estão uma mansão que imita o hall de entrada da mansão Spencer e os vários ambientes congelados do laboratório na Antártida.

re-code-veronica-13Esse laboratório, inclusive, vem quando já exploramos tudo e pensamos “agora vem aquele momento em que temos que ficar voltando nos mesmos lugares de sempre apenas procurando itens”. Além de inesperado, isso dá mais frescor ao jogo, já que temos toda uma nova leva de cenários a serem explorados e, o melhor de tudo, com um dos personagens preferidos dos fãs da série: Chris Redfield.

Para a alegria dos mais saudosistas, não são apenas os irmãos Redfield que retornam à série. Albert Wesker, o traidor da equipe S.T.A.R.S. no primeiro game, também está de volta e com algumas novidades. Depois de sobreviver à explosão da mansão Spencer, Wesker passou a trabalhar para uma organização rival da Umbrella e começou a fazer experiências nele próprio, ganhando velocidade e força sobre-humanas. Uma das melhores cenas do jogo envolve um combate entre ele e Chris na base da Umbrella que está prestes a explodir.

Além dos rostos já conhecidos, o game traz também novos e interessantes personagens: os gêmeos Alfred e Alexia Ashford. Ambos são frutos de experiências genéticas realizadas pelo pai, Alexander, e possuem uma inteligência acima da média, principalmente Alexia, que foi a responsável pela criação do T-Veronica. A jovem resolveu testar sua criação nela mesmo e se congelou para que o vírus agisse de forma mais devagar no organismo permitindo que Alexia tivesse controle total sobre seus poderes. Para que ninguém soubesse dos planos da irmã (e também por ser bem maluco), Alfred passa a se vestir como Alexia em algumas ocasiões, enquanto comanda as instalações na Rockfort Island.re-code-veronica-12

Resident Evil Code: Veronica traz os mesmos comandos dos jogos anteriores, com ângulos de câmera fixos e personagens meio travadões. A grande novidade do jogo fica por conta dos comandos na hora de atirar nas criaturas da Umbrella. Logo no início é possível obter um par de submetralhadoras que servem para atirar em dois alvos diferentes ao mesmo tempo. Uma grande evolução em comparação aos jogos anteriores, onde era necessário eliminar um inimigo por vez.

Outra novidade foi a utilização de uma visão em primeira pessoa para derrotar certos chefes, algo até então inédito na série. Code Veronica trouxe de volta também os barris explosivos que surgiram em Resident Evil 3 e sempre acrescentam uma boa dose de estratégia ao jogo. O título inovou ainda na dinâmica entre os dois personagens, pois os itens deixados por Claire na Rockfort Island ou dentro de algum baú podiam ser usados por Chris e vice-versa.

Apesar dos gráficos parecerem ultrapassados em comparação aos outros jogos do PlayStation 2, Resident Evil Code: Veronica é um dos melhores games para este console e, na minha opinião, o melhor da série RE (depois do primeiro). Os comandos podem ser ultrapassados hoje em dia, mas o jogo acerta em cheio ao colocar o jogador no comando de Chris e Claire Redfield, além de trazer Wesker de volta quando ninguém mais esperava pelo retorno dele. Sem dúvidas é um jogo que merecia ter recebido a numeração da série, muito mais do que o próprio Resident Evil 4. Para os fãs do quinto jogo da franquia, este game é indispensável.

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[Texto de minha autoria, publicado originalmente no site PlayStation Blast,
parcialmente atualizado em alguns trechos.
Licença deste texto: BY-SA 3.0.]

Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

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