PlayerUnknown’s Battlegrounds e a ascensão dos jogos de Batalha Real

Uma premissa simples: cerca de cem pessoas caem numa ilha, coletam itens e armas espalhados pelo território e possuem o único objetivo de eliminar uns aos outros até que reste apenas um. Isso é a base estrutural de PlayerUnknown’s Battlegrounds (ou PUBG para os íntimos), um jogo de tiro desenvolvido pela Bluehole Studio que está estourando todos os recordes de vendas e de usuários online do Steam desde que foi lançado em março de 2017 – inclusive batendo os aclamados DOTA e Counter-Strike que até então eram insuperáveis nos números dentro do serviço da Valve.

Mas vamos destrinchar o que é o PUBG.

Do que se trata?

Ele é basicamente um jogo de Batalha Real: como na Roma antiga, mas ao invés de ter três a quatro lutadores enfrentando uns aos outros, PUBG coloca até 100 para se matarem.

A onda Batalha Real na cultura pop começou com o lançamento do livro Battle Royale, de Koushun Takami, em 1999 (inclusive recomendo a leitura da obra, porque é fantástica!), mas se popularizou mesmo com o lançamento dos livros e, principalmente, dos filmes de Jogos Vorazes.

Já no mundo dos games esse modelo começou como um mod de Arma III e, posteriormente, com jogos como H1Z1: King of The Kill, lançado em 2016. Mas em nenhum desses casos conseguiram atingir o sucesso que PUBG está conseguindo. Mas por quê?

Vamos começar pelo mod de Arma III: primeiro ele é uma modificação do jogo principal – assim como era DayZ antes de se separar de vez do jogo principal – então muita gente sequer conhecia a sua existência ou não tinha interesse no jogo principal ao ponto de comprá-lo apenas para jogar o mod.

O que não significa que ele era ruim, já que Arma III é um dos melhores simuladores de combates modernos que se tem no mercado. Provavelmente não era isso exatamente isso que o mercado queria, visto a diferença de público, por exemplo, de Counter-Strike (um jogo arcade, por assim dizer) e Insurgency (um simulador um pouco mais avançado de combates), ambos em plataformas semelhantes, mas feitos para públicos diferentes e com sucessos bem distintos entre eles: CS tem milhões de jogadores ativos e diversos torneios pelo mundo, enquanto uma minoria conhece e joga Insurgency.

Tentativas da concorrência

E então chegamos a algo que agradou parcialmente o público. Seu nome? H1Z1: King of the Kill, com uma pegada bem mais arcade, trazendo elementos de CS (como mira aberta, entre outros) para o estilo Batalha Real.

Mas tal jogo tinha alguns problemas: o jogo não era visualmente moderno, aproveitou-se muito do jogo H1Z1: Just Survival, então acabou parecendo mais um mod do que um novo jogo [Nota do Gian: Isso aconteceu porque originalmente esses games eram um só, chamado apenas de H1Z1. Com o passar do tempo a equipe de desenvolvimento acabou se dividindo e, como consequência, surgiram esses dois forks] e uma grande comunidade tóxica cresceu em torno dele.

Como se não bastasse, a falta de atenção dos desenvolvedores gerou servidores escassos e/ou bem ruins de se jogar. Com todos esses problemas, H1Z1: King of the Kill acabou “parando no tempo” e afastando a maior parte do público.

A ascensão do PUBG

E então surgiu no horizonte o PUBG, um jogo inspirado no mod de Arma III e que queria trazer a experiência de algo entre o que era o mod e o que H1Z1 oferecia: um jogo “nem simulador, nem arcade demais”, mas que tivesse elementos suficientes para dar uma sensação de realidade a quem estivesse jogando, aumentando assim a complexidade dessa experiência.

A tensão e a adrenalina estão presentes em cada etapa do jogo, desde a queda do avião até o solo e coletar armas antes que seus adversários, ficar dentro da safezone para não morrer pelo “gás” ou “eletricidade” (como alguns chamam a área fora da zona de jogo que arranca life dos jogadores, forçando-os a se aproximarem) ou encontrar os inimigos escondidos em meio a moitas e plantações antes deles te acharem.

Você não morre tão facilmente, mas também não dá para se descuidar e tomar tiros a toa, já que os recursos de cura são escassos. Além disso, a qualquer momento alguém pode aparecer pra te atacar enquanto você se cura, então o estado de alerta durante as partidas é constante!

Coisas como pular de um veículo em movimento ser morte certa, poder eliminar adversários só no soco (o que é bem legal, especialmente se o adversário já estiver armado) ou ser atropelado enquanto está escondido em plantações também contribuem para tornar o jogo bem divertido e tenso de se jogar.

Mas um grande fator que conquistou diversos jogadores para o PUBG foi a grande atenção da desenvolvedora com a quantidade de servidores e a preocupação em ouvir a comunidade que se formou em torno desse jogo, especialmente com relação aos hackers e aos problemas do jogo e todo o trato que eles estão dando a ele até ele chegar no seu final: PlayerUnknown’s Battlegrounds ainda está em desenvolvimento e por isso encontra-se em Early Access na Steam. A promessa é de o PUBG ser entregue completo até a E3 de 2018.

Claro que nem tudo é um mar de rosas: o jogo ainda tem sérios problemas de otimização, o que faz com que jogadores com PCs um pouco mais fracos se afastem ou nem comprem o jogo. A comunidade cresceu bastante e com isso vieram mais hackers, mais jogadores tóxicos e ainda mais problemas. Mas acredito que a Bluehole está se saindo muito bem para resolver a grande parte dessas broncas dentro e fora do jogo.

Mas não dá para negar que o sucesso do jogo é absurdo! Eles conseguiram bater no fim de semana passado (contado do momento em que eu digito) mais de 930 mil jogadores simultâneos na Steam, além da marca de 10 milhões de cópias vendidas. Houve até mesmo um grande torneio realizado dentro da edição desse ano da Gamescom, no mês de agosto, com um stand gigantesco e muitos prêmios e atrações para quem pode comparecer ao evento.

Até mesmo outras empresas estão reconhecendo o sucesso do PUBG: recentemente a Rockstar começou a lançar modelos de partidas estilo Batalha Real em sua última atualização para o GTA Online, chamada Smuggler’s Run.

Bora jogar?

Bom, essa foi uma pequena apresentação do tão famosos PUBG. Ficou interessado? Então bora jogar um solo, duo ou squad e seja um WINNER WINNER CHICKEN DINNER!!!!

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Arte de fundo criada por Nataly Al-Sayf
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