Virei adulto. E agora? – Parte II: videogames, trabalho e família

Virei adulto. E agora? – Parte II: videogames, trabalho e família

Muito tempo atrás eu costumava ler diariamente um blog de games excelente em sua época chamado Continue. Um de seus posts me chamou bastante a atenção: era sobre um pai de família que deixava seu filho de uns 8 ou 9 anos (se bem me lembro) jogar Grand Theft Auto IV (conhecido por, entre outras coisas, ser um jogo para maiores de idade).

Chocante? Calma, não é bem o caso: o pai usava o GTA IV como ferramenta de ensino, dando lições sobre leis de trânsito para o garoto! Ele roubava um carro qualquer (provavelmente sem que o filho visse, afinal é roubo né) e circulava pelas ruas de Liberty City obedecendo fielmente as leis de trânsito: não corria em alta velocidade, não batia nos outros carros, respeitava os semáforos, placas, pinturas no asfalto e demais formas de sinalização, sempre explicando para o filhote como todas essas coisas funcionavam e deveriam ser obedecidas na vida real. Depois disso, ele cedia o controle ao garoto para que ele pudesse colocar em prática o que aprendeu.

Infelizmente o vídeo do YouTube com uma demonstração feita por esse pai sagaz se perdeu no tempo, o que me impede de comprovar esse relato.

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Ae, se furar o sinal vermelho tá de castigo, hein!

De qualquer forma, essa foi uma das minhas motivações para continuar falando sobre vida adulta e videogames: como é a relação entre pais/mães de família com os jogos digitais? E quem ainda não constituiu família mas, de qualquer forma, precisa trabalhar e gosta de videogames? Como separar um tempo para arejar a cabeça sem prejudicar a vida profissional?

Embora eu trabalhe há alguns bons anos (já fui operador de telemarketing e trabalhei em suporte técnico em um provedor de internet. Hoje em dia sou desenvolvedor web), ainda não constituí família e por isso não tenho parte dessa vivência. Então eu resolvi entrevistar algumas pessoas (sou péssimo pra fazer entrevistas “de verdade”, então foi mais um papo informal mesmo) pra saber o que elas fazem para conciliar trabalho, família e seu hobby favorito. Felizmente consegui alguns depoimentos bem interessantes, que vocês poderão conferir nas próximas linhas.

OBS.: Os depoimentos aqui exibidos foram coletados em fevereiro de 2015. Devido a diversos contratempos eu acabei atrasando alguns bons meses para publicar esse texto. Foi mal, gente…

Trabalho e videogames

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Jogar videogame é bom, mas sabem o que é ainda melhor? Ganhar dinheiro! Inclusive pra sustentar nosso hobby (entre outras coisas mais importantes, é claro). Mas é fato que nenhum de nós quer deixar de fazer nem uma coisa nem outra, então como proceder?

Cada um se organiza como pode: deixa pra jogar só nos finais de semana e feriados, reserva um tempinho no final do dia ou simplesmente abre mão por um tempo pra se dedicar melhor ao que mais importa, deixando os games para algum momento mais oportuno. Estela Camargo, uma das jogadoras que eu entrevistei, é uma dessas pessoas que sempre dá um jeitinho de conciliar trabalho e lazer, como todos nós:

Bom, eu não tenho bem uma rotina… Eu trabalho das 10-19, algumas vezes chego a sair 20, 21 e até 22…Nesses dias não consigo jogar, então eu tento meu melhor pra estar em casa o mais cedo que der, não só pra jogar, mas pra tentar descansar pro dia seguinte.

Tenho um Xbox 360 e PC. No Xbox só jogo mesmo quando há outras pessoas ou bastante tempo, há tempos não compro jogos novos então ele está meio encostado. No PC não jogo muito MMO e outros jogos online pela falta de sossego que é ser mulher nesses ambientes, mas tenho jogado bastante Don’t Starve (o Together tbm, com amigos), Banished e Counter Strike (com amigos/bots).

Durante a semana acredito que consiga jogar entre 6 e 10 horas, se tiver sorte, e aos fins de semana acho que jogo o mesmo tanto, quando jogo. Aproveito bastante os feriados e eventuais folgas pra jogar um pouco mais, se não tiver outros compromissos e obrigações. Em geral, eu consigo jogar algumas vezes na semana e um final de semana ou outro, ou pelo menos algumas horas num dia por fim de semana.

Além de trabalhar, Estela também se vê às voltas com seu curso universitário e já se planeja de acordo:

Agora com a faculdade acredito que vá se tornar um pouco menor o meu número de horas/conquistas, ou eu serei obrigada a me disciplinar mais e acabarei cortando o tempo que perco e ganhando mais tempo pra estudar/jogar.

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“Legal! Primeiro dia no novo emprego! #Ansioso”

Quem também costuma arrumar um tempinho pra um pouco de jogatina é a jornalista Nadja Pereira: sempre que pode ela salva o mundo entre um expediente e outro:

Basicamente eu jogo a noite e nos finais de semana. Tento conciliar entre os livros pra ler e as series pra assistir que são muitas. (…) Quando tenho que fechar um jogo de qualquer jeito – caso do Call of Duty: Ghosts – eu fecho o meu sábado inteiro só pra isso.

Quando estava na faculdade, Nadja tinha uma rotina bem regrada:

(…) Eu era uma jogadora ocasional de PC. O esquema era parecido [com a rotina atual de trabalho]: eu jogava mais a noite quando não tinha aula.

Por fim, Nadja aproveita pra nos dar suas próprias dicas! Para ela, a palavra chave é uma só:

Organização, haha! Eu tenho planilhas no Evernote e metas, mas deixo livre. Se o jogo for de dificuldade média, como o Call of Duty, eu dedico uma ou uma hora e meia por dia pra fechar. Vou começar agora com Child of Light e Grid2 (que detestei mas vou fechar), ai é simples. É que nem com livro: tenho metas mensais de 4 por mês e agora no carnaval eu deixo pra me dedicar mais e fechar mais 2. Se tem mais tempo livre, jogar ou ler mais. É simples. Atualmente só vejo minhas séries aos domingos pra conseguir me dedicar às outras coisas.

Jogando em família

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Se tem uma coisa que certamente é muito bacana sobre videogames é poder compartilhar esse nosso divertimento com quem amamos. Com os gamers não é diferente: eventualmente acabamos encontrando pessoas especiais em nossas vidas e constituímos família, mas nem por isso deixamos o videogame de lado, muito pelo contrário!

Seja chamando o(a) namorado(a) que não tem costume de jogar pra nos acompanhar em Azeroth, seja mostrando aos nossos filhos como essa nova e fascinante brincadeira é divertida e culturalmente enriquecedora (como foi o caso do pai ensinando leis de trânsito ao filho através do GTA, lembra?), os videogames são uma excelente chance de socializar e fortalecer agradáveis relações fraternais.

Que o diga a tradutora de jogos e mamãe Daniela Razia, que desfruta de seu divertimento junto com seu filhote sempre que possível, apesar das adversidades:

Tenho um filho autista de 11 anos, que ainda usa fraldas, não come sozinho e começou a APAE esses dias, por isso não posso trabalhar fora de casa no momento. E ele curte me ver jogar (realmente prefere ver do que jogar), principalmente assistir minhas partidas de League of Legends. Então trabalhando em casa e tudo mais, tenho um tempo razoável para jogar sem descuidar de minhas obrigações maternas e profissionais. ^^

Daniela sempre curtiu videogames e quando lhe perguntei sobre como conciliava os estudos com os games ela relembrou dos bons e velhos tempos das locadoras:

Na época eu me dediquei muito aos estudos, ia no fliperama nos fins de semana. Eu curtia mais fliper de bar, essas coisas… Então pegava o fds e ia jogar KOF, Street Fighter… quando pude ter um videogame comprei o PS2.

Jogando e vivendo…

Bom, esses foram alguns relatos de gente que, como todos nós, ama os videogames a ponto de sempre dar um jeito de mantê-los como parte importante de suas vidas. É algo inerente ao ser humano que o lúdico nos acompanhe por toda a existência e é simplesmente incrível como vivemos em uma época em que os jogos digitais se tornaram acessíveis o suficiente para permitir isso.

Gostaria de encerrar este texto – e esta coluna aqui no Conquista – com um conselho bacana que a Daniela nos deixou sobre esse assunto:

Nunca se anular e deixar de fazer o que gosta. No caso de jogar, sempre reserve um tempo pra você. Dá pra conciliar, com jeitinho sempre dá ^^ Ser mãe/pai não te impede de fazer outras coisas, pode ser mais complicado… mas não impede.

[Agradecimentos especiais a Daniela Razia, Estela Camargo e Nadja Pereira
pelos depoimentos cedidos, bem como a todos da fanpage Firehawk, pela ajuda.
Mil desculpas por toda essa demora. =(]

Analista de Sistemas, desenvolvedor web e webdesigner freelancer. Sou viciado em videogames, amo literatura, tô quase voltando a desenhar e os ensinamentos de Ben Parker formaram o meu caráter.

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